Ator rebate crítica de Samuel L. Jackson: “estou ofendido em ter que provar que sou negro”
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Ator rebate crítica de Samuel L. Jackson: “estou ofendido em ter que provar que sou negro”

O Estado de São Paulo

14 Março 2017 | 12h27

Daniel Kaluuya como Chris Washington rm 'Get Out'. Foto: Universal Pictures/Divulgação

Daniel Kaluuya como Chris Washington rm ‘Get Out’. Foto: Universal Pictures/Divulgação

O novo filme de terror Get Out está conquistando cada vez mais o público dos EUA. O filme, estreia na direção do ator Jordan Peele, já arrecadou mais de 100 milhões de dólares nas bilheterias do país, tendo custado apenas cinco milhões.

O ator Samuel L. Jackson, porém, não é um dos maiores fãs do longa, que retrata a vida de um fotógrafo negro, de 27 anos, ao conhecer os pais, brancos, da sua namorada. Em entrevista a uma rádio, Jackson criticou o fato do protagonista, o ator inglês Daniel Kaluuya, não ter nascido nos EUA. “Há muitos atores negros britânicos trabalhando neste país, o tempo inteiro”, declarou o veterano à estação Hot 97, de Nova York.

“Eu imagino o que este filme seria com um irmão americano, que realmente entende o que acontece aqui”, criticou Jackson. “Daniel cresceu no país em que há namoro inter-racial há seculos (…). Algumas coisas são universais, outras não.”

Kaluuya, cujos pais são imigrantes de Uganda, sentiu-se ofendido com as críticas de Samuel L. Jackson, a quem ele elogia por ter “aberto portas” e as rebateu numa entrevista à GQ. “Eu estou ofendido em ter que provar que sou negro”, disse.

“Eu tenho a pele escura. Quando estou perto de negros, fazem eu me sentir ‘diferente’ por ter a pele escura”, desabafou o britânico. “Eu tenho que lidar com isso, com pessoas dizendo ‘você é muito negro.’ Então eu chego aos EUA e dizem ‘você não é negro o suficiente’.”

“Se eu chego na Uganda, eu não sei a língua. Na Índia, eu sou negro. Na comunidade negra, eu tenho a pele escura. Nos Estados Unidos, eu sou britânico. Cara!”, continuou Kaluuya em seu relato.

O ator britânico se disse ainda frustrado por ter que provar que pode viver o papel de um negro norte-americano vítima de racismo. “Eu tenho que me abrir sobre os traumas que vivenciei como uma pessoa negra. Tenho que mostrar minhas dificuldades para as pessoas aceitarem que sou negro.”

Apesar de já ter estreado nos EUA com grande sucesso, Get Out tem previsão de chegar aos cinemas brasileiros apenas em junho. O título previsto por aqui é Saia!.