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Alabama Shakes empolga público no Lollapalooza

Daiane Oliveira

30 de março de 2013 | 19h32

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Jotabê Medeiros – O Estado de S.Paulo

Aquilo que todos desconfiávamos é verdade: a cantora Brittany Howard, do grupo sulista norte-americano Alabama Shakes, é mesmo uma força da natureza. Sua estreia no Brasil foi um acontecimento histórico, para dizer o mínimo. O público transformou Hold On, a segunda canção do seu set list, num hino do festival nessa tarde de sábado, 30. E, para agradecer, a banda ainda tocou uma música inédita: Always Alright, um rock’n’roll que sedimentou definitivamente a lama de sexta-feira, 29, tornando-a uma espécie de lava.

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Habitando um território vocal ali entre Elza Soares e Janis Joplin, Brittany foi descoberta na pequena Athens, Alabama, alternando um emprego de agente postal dos Correios com o de aspirante a cantora. No Lollapalooza, na tarde ensolarada, mostrou que é realmente um diamante, mas nem um pouco bruto. Sabe desperdiçar a voz, quando quer, em scats longuíssimos, mas também sabe como colocá-la com precisão em blues rocks lancinantes.

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Colocaram o Alabama Shakes para tocar no palco de pior amplificação do festival, o palco Alternativo (que engoliu o bom guitarrista neohendrixiano Gary Clark Jr.). Brittany, que só tem 23 anos, nem se abalou: mandou um petardo atrás do outro, munida de uma Gibson azul-fusquinha que (ao contrário de muitas colegas do métier) não é de enfeite, ela sabe o que fazer com ela. Ao seu lado, meticuloso e calado, o cérebro musical da coisa, o baixista Zack Cockrell, pilotando o andamento do blues-rock na Marginal Pinheiros.

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Brittanny faz um show tão visceral que de fato emociona, uma capacidade que parecia perdida nesses tempos de bandas genéricas e superficiais. Parece tomada em cena, até deixou cair os óculos sem os quais não enxerga patavinas. Imensa como uma Aretha adolescente, desafiadora como uma Etta James de porre, a garota comeu o festival pelas beiradas. Ela abriu com Hang Loose e mandou ver nos hits de seu único álbum, Boys & Girls, como Heartbreaker, Be Mine, I Found You, I Ain’t the Same, On Your Way, Gospel Song. Quando chegou à seminal You Ain’t Alone, no finalzinho, os discípulos daquela igrejinha que só tem banda com vocalista nerd e baterista que cavalga os pratos já tinham uma nova religião para seguir.

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