A vingança do Pôr do Sol
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A vingança do Pôr do Sol

Eliana Souza

18 Setembro 2013 | 14h26

 

“Adoro quando dizem que o Offspring deveria estar no Palco Mundo” (Foto: Wilton Junior/ Estadão)

Julio Maria

A tese veio poética: um dos palcos do Rock in Rio deveria juntar artistas de universos estranhos entre si, que jamais haviam pensado em dividir o mesmo espaço, para quebrar muros, comunicar plateias e derrubar guetos. A prática, um caos: técnicos de som se perdiam por não saberem o que aconteceria no momento do show improvisado, microfonias apareciam, o público chegava sem saber se veria o show de um ou de outro. E a crítica descia a caneta.

O tempo joga a favor do espaço e Zé Ricardo, seu defensor desde a origem, em 2011, vence pela insistência. Ele comemora o que tem visto até aqui: críticos e público entendendo o local não mais como um palco secundário, mas como o espaço de conceito. Os dias de Rock in Rio têm mostrado, de fato, que o caos tem sido contornado, mas que há um alerta em seu crescimento: ao receber atrações grandes demais, o espaço pode não só perder seu charme como sua capacidade física. Shows como do Offspring e de Nando Reis com Samuel Rosa acenderam o sinal amarelo. “Precisamos de mais espaço, dar um jeito de reconfigurar aquilo para mais pessoas. E de alguns ajustes no som, como uma torre de delay, para que o público lá do fundo ouça mehor” avalia. “Mas adoro quando dizem que o Offspring, por exemplo, deveria estar no Palco Mundo”, diz ele, durante jantar com a reportagem na noite de terça-feira.

Ainda sobre mudanças, Zé Ricardo diz que quer colocar, em uma próxima edição, telões laterais no Sunset, como há no Mundo. A sonorização ele já conseguiu equiparar com a do espaço maior.

A credibilidade parece estar crescendo a cada edição, a ponto de o produtor apostar em uma junção esteticamente arriscada. Mallu Magalhães recebendo a Banda Ouro Negro como convidada, às 16h de sexta. A Ouro Negro, de Mario Adnet, vive no mundo do jazz e da música simples e ao mesmo tempo extremamente sofisticada de Moacir Santos, um dos maiores compositores brasileiros que construiu sua carreira no exterior nos anos 60. Mallu ainda firma-se como cantora e, apesar do bom disco mais recente, Pitanga, nem em sonhos seria imaginada ao lado da Ouro Negro. “Mandei um CD de Mallu para o Adnet. Ele ouviu e gostou. Os ensaios foram ótimos e Mallu é muito madura”, diz Zé Ricardo.

A probabilidade de ruídos, segundo ele, bateu no teto com o show da cantora Kimbra com o Olodum, no domingo. “Eram de mundos totalmente diferentes. E quando ela aparece para cantar, vem com um vestido com as cores do Olodum. Foi de um respeito incrível.”

Há pouco que Zé Ricardo pode antecipar do que já vem costurando para 2015. Diz que um artista do Palco Mundo desta edição estará de volta no Sunset e que vai batalhar para juntar Nando Reis, agora, com o produtor Jack Endino. Sobre os shows principais do Sunset que estão por vir a partir desta qunta-feira, fez um rápido sobrevoo:

Rob Zombie (quinta-feira, às 19h30)

“Nunca havia se apresentado no Brazil sozinho, sem a banda White Zombie. O cara é uma lenda, diretor de cinema, e está trazendo muito equipamento para seu show. Resolvemos deixá-lo sozinho.”

Ben Harper com Charlie Musselwhite (sexta, às 19h30)

“Juntos, fizeram recentemente um disco de blues com muita consistência. Mas vai ser um pouco diferente: Harper vai fazer seu show e, no meio, convidar Charlie para a parte blues.”

Gogol Bordelo com Lenine (sábado, às 19h30)

“Quando perguntamos ao vocalista do Gogol, Eugene Hütz, com quem ele gostaria de dividir um palco, ele disse na hora o nome de Lenine. Depois de sua participação, Lenine vai fazer seu show do álbum Chão no Sunset.”

Sepultura com Zé Ramalho (domingo, às 19h30)

“Quando fechei, pensei, ‘cara, sou maluco mesmo’. Isso vai ser demais, é um show que me dá muito prazer. As pessoas vão ver que Zé Ramalho sempre foi muito do metal”