A tentação da fila no Rock in Rio
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A tentação da fila no Rock in Rio

Eliana Souza

20 Setembro 2013 | 18h11

Roberto Nascimento

Uma fila de quarenta metros para tirar foto com uma guitarra gigante? O Rock in Rio tem dessas. A cada dia, trocam-se os astros, chegam outras tribos, mas ela permanece o centro das atenções na entrada do festival. É a Tour Eiffel de Jacarepaguá. A famosa foto tirada pelo peregrino para constatar sua presença na Cidade do Rock. “Eu Fui”, como deve sugerir, em pretérito, o flexível slogan “Eu Vou”, assim que a festa acabar.

Mesmo assim, está longe de ser a única fila curiosa do festival. Sem reclamar, o público atura horas em pé à espera de pouco. Além das necessárias por cerveja, hambúrguer e banheiro, há filas para receber merchandising, filas para cortar o cabelo, filas para dançar e filas para entrar na fila da fila da tirolesa. Um estudo sociológico provavelmente concluiria algo sobre a carência de fila deixada pela ascensão do home banking no inconsciente da classe média brasileira.

A razão mais prática deve ser o tédio. O fã chega ansioso na Cidade do Rock às 14h30 para ouvir Bon Jovi às 0h05, mas percebe que, até então, tem de ver um show de Mallu Magalhães. O que fazer? Pegar uma fila. Ou quer arranjar alguma coisa mais interessante que ouvir um grupo de buskers de música celta na Rock Street? A fila é a solução.

Mas, se há um elemento de jequice nessa obsessão, deixemos claro que é uma jequice cívica. Na fila da super guitarra, com acesso logo após a fila para entrar no festival, não havia coordenador de jaleco para controlar o fluxo. A ordem se estabelecia por conta própria. “Já tentaram furar, mas o pessoal está respeitando”, contou uma fã que estava há quarenta minutos em pé, à espera de sua foto.

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