Tagore avança na psicodelia sintética, mas de coração quente
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Tagore avança na psicodelia sintética, mas de coração quente

Pedro Antunes

15 de setembro de 2016 | 16h18

E, de repente, tudo ficou mudo.

“Tudo mudou”, canta Tagore Suassuna.

E, de repente, tudo virou saudade.

“Quer só você / E não vem”, completa Tagore.

Tagore (Foto: Zé de Holanda / Divulgação)

Tagore (Foto: Zé de Holanda / Divulgação)

Mudo é a canção que abre os trabalhos de Pineal, segundo disco de Tagore, a banda, e também foi escolhida como primeiro single.

É um bofetada bem dada. Ardida, mesmo que merecida. É um adeus, um fim e, ao mesmo tempo, um recomeço.

O grupo se despede da psicodelia com pés fincados no regionalismo e embarca por uma viagem sintética, mesmo que quente. Teclados, efeitos, ecos nas vozes anuviam as dores cantadas por Tagore.

“A letra versa sobre o quão efêmero é tudo, nos dias de hoje, em que as conexões são feitas quase que instantaneamente”, diz o líder da trupe formada por ele (voz, violão e guitarra), Julio Castilho (baixo, guitarra e teclados), Caramuru Baumgartner (percussão e teclados), Emerson Calado (bateria), João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) e Diego Dornelles (baixo, guitarra e teclados).

Efêmero. Fugaz. De repente, quem se ama vai embora.

É sobre esse amor que estamos falando aqui. “A inspiração direta veio do fim de um relacionamento longo que eu tive”, conta Tagore.

O rompimento com a sonoridade ouvida em Movido a Vapor, álbum de estreia de Tagore, dialoga com a efemeridade contemporânea. E, ao mesmo tempo, revigora. “Algum tempo após Movido a Vapor, fomos entrando numa fase menos regional e mais psicodélica”, explica o vocalista.

Bandas como Flaming Lips, Air, Unknowm Mortal Orchestra, Connan Mockasin e, claro, Tame Impala, entram neste pacote de novas referências. “Começamos a trabalhar as novas composições já nessa roupagem mais ‘futurista’, mesmo que sem perder o sotaque, uma marca tão registrada no nosso som”, explica Tagore.

Mudo, cujo clipe pode ser assistido no player abaixo, foi escolhida para ser o primeiro single porque “sintetiza todo o contexto de mudança presente no álbum”, justifica Tagore. “É uma faixa que dialoga com o sentimento de falta, apego ao passado e saudade, situações atemporais pra o ser humano. Ao passo que a levada é dançante e enérgica.”

Pineal sairá pelo selo Novíssima Música Brasileira, um braço gravadora Sony Music criado para dar espaço para bandas independentes. O lançamento será no dia 14 de outubro.

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