Sob olhar de Samuel Rosa, Boogarins celebra retorno ao Brasil com boas doses de lisergia em um microcosmo pop
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Sob olhar de Samuel Rosa, Boogarins celebra retorno ao Brasil com boas doses de lisergia em um microcosmo pop

Pedro Antunes

25 Julho 2017 | 09h10

Em meio a uma gurizada de idade média de 25 a 35 anos, lá estava ele, Samuel Rosa.

O líder do Skank, acompanhado do filho, encostava-se no fundo da pequena casa de shows Breve, na zona oeste de São Paulo, para experimentar como é uma apresentação do Boogarins ao vivo.

Boogarins (Foto: Beatriz Perini)

“Me disseram que, ao vivo, eles são melhores do que os discos”, disse o mineiro que, desde o disco Carrossel, de 2006, vem adicionando descaradamente doses de psicodelia ao som do Skank.

Na estrada há quatro anos, o Boogarins se garante no palco.

Os discos, é claro, foram bem recebidos pela crítica.

As Plantas Que Curam, a estreia de 2013, espalhou no boca a boca – e circulou distribuído pelo próprio guitarrista Benke Ferraz nos festivais de música independente goianos, em K7.

Manual ou Guia Livre Para a Dissolução dos Sonhos, lançado há dois anos, foi celebrado até pelo The New York Times.

Lá Vem a Morte, que saiu há poucos meses, já está na lista de melhores criada pelo júri da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

No domingo, 23, a banda celebrou o retorno ao Brasil depois de mais um mês pela Europa com uma apresentação no CCSP. Na noite, apresentou-se também o MQN, uma banda de punk furioso liderada por Fabrício Nobre, uma instituição do indie brasileiro dentro e fora dos palcos.

Nesta segunda, 24, decidiram por uma apresentação na Breve, uma das mais simpáticas casas de shows da cidade, na zona oeste.

Era um show entre amigos de uma banda forjada no palco, na turnê de dia após dia na Europa. Antes seguirem para as respectivas casas, optaram por mais um show. Afinal, por que não?

É ali que o quarteto, formado por Fernando Almeida (voz e guitarra-base), Benke Ferraz (guitarra solo), Raphael Vaz (baixo) e Ynaiã Benthroldo (bateria, ex-Macaco Bong), promove o que sabe de melhor.

Ali, criam seu próprio microcosmo. Têm o poder de desligar uma chavinha que conecta o público com o mundo exterior. O lá fora deixa de importar, por pelo menos uma hora e meia. Na viagem sonora deles, há cor, há espaço para o improviso em canções alongadas e jams psicodélicas.

Em um ambiente no qual banda e público estão tão próximas, a conexão parece ainda maior. As paredes da Breve reverberavam as canções de La Vem a Morte e Manual (com destaque para Benzin, dona de um quê mais de “canção” do segundo álbum).

Naquele microcosmo, são quase messiânicos.

Tal qual a seita loshermânica, público canta mais alto do que os vocais, como se as canções apresentadas ali já fossem deles próprios, de cada uma daquelas 150 ou 200 pessoas.

E talvez cada canção tenha um novo dono, mesmo.

É a experiência que o quarteto vindo de Goiânia proporciona. O relógio parece seguir seu curso demoradamente. Nesse ambiente onde tempo e espaço se transformam, o Boogarins faz as vezes de guia para essa viagem lisérgica de sensações, cores e quentura.

Samuel Rosa, ao deixar o espaço, faz um sinal de positivo. Dedão para cima. Ele aprovou também.

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