As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Análise: novo ‘Vingadores’ acerta ao explorar as próprias falhas

Pedro Antunes

22 de abril de 2015 | 20h20

Os planos da Marvel eram claros para o encerramento da segunda fase do próprio universo cinematográfico. Desmontar o que havia sido apresentado na primeira leva de filmes. E Vingadores: Era de Ultron, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, uma semana antes dos Estados Unidos, é cirúrgico nisso.

Na primeira fase do pomposo plano, heróis como Homem de Ferro, Hulk, Capitão América e Thor eram apresentados no auge de suas “divindades” (o único realmente deus é Thor, mas dá para entender, certo?). Nesta segunda, tudo começa a desandar. O grupo com os maiores heróis da Terra também apresenta falhas. E tudo isso culmina em Era de Ultron – assim como desandará de vez em Capitão América: Guerra Civil, quando Tony Stark/Homem de Ferro e Steve Rogers/Capitão América partem para lados distintos da briga.

O ano de 2012, quando o primeiro Vingadores arrecadou US$ 1 bilhão em bilheteria, parece distante hoje. O superlativo perdeu espaço para os detalhes. Não é por acaso que o Gavião Arqueiro e Viúva Negra, os menos superlativos dentre os heróis, interpretados por Jeremy Renner e Scarlett Johansson, tenham recebido tanta atenção de Joss Whedon nesta sequência. Não se trata mais do super-humano, mas, sim, do humano dentro de cada super.

A Batalha de Nova York, como ficou conhecida o confronto final do primeiro filme, deixou marcas muito mais profundas do que se poderia imaginar. Além de ajudar a gerar as tramas das séries de TV Agents of SHIELD e Demolidor, criou fantasmas de medo dentro de cada um dos Vingadores.

Ultron, o escancaradamente vilão do novo longa, não é tão vilanesco assim. Ele só é uma criação do próprio medo dos heróis. Não fosse o ocorrido em NY, o personagem sequer existiria. Pior que ele é a novata Feiticeira Escarlate, vivida por Elizabeth Olsen, capaz de acessar os maiores medos de cada um dos heróis e destruí-los por dentro.

São três novos heróis. Além da Feiticeira, somos apresentamos ao irmão dela, o Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson). Ele, por sua vez, funciona apenas para acrescentar número à quantidade de heróis do grupo e como um serviço aos fãs, apenas. Por fim – e bem no fim, mesmo – Visão entra em cena. Sim, já sabíamos disso através do mar de trailers, clipes e vídeos lançados até a estreia, mas o visual do herói, interpretado por Paul Bettany ainda é de tirar o fôlego. Embora a profundidade do personagem tenha sido esvaziada por falta de tempo em tela, ele promete ser uma adição inteligente ao grupo.

Sabendo-se o que nos espera nos anos a seguir, como novos filmes de Capitão América, Thor, Homem Formiga, Doutor Estranho, Guardiões da Galáxia, assim como um duplo longa dos Vingadores, A Era de Ultron soa como um filler (nome dado a episódios criados apenas para “encher linguiça”), mas a sacada de Whedon foi fugir disso partindo para aspectos inesperados das personalidades de cada um dos heróis que ele tinha ali à disposição. Não fugiu das grandes batalhas, ameças planetárias, etc, afinal, estamos tratando de Vingadores e é para isso que eles existem como grupo, mas ele esmiúça o improvável, a fraqueza, enquanto um vilão faz piadinhas e finge ser um problema maior do que é. A força deste novo Vingadores está nas falhas deles.

Tudo o que sabemos sobre:

críticaera de ultronquadrinhosvingadores

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: