Ian Lasserre balança no ritmo do vai e vem do mar em ‘Maré’, primeira música do disco de estreia
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Ian Lasserre balança no ritmo do vai e vem do mar em ‘Maré’, primeira música do disco de estreia

Pedro Antunes

06 de setembro de 2017 | 06h01

O mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito, como já cantou Dorival Caymmi. E ele vai, ele vem, num movimento contínuo de marés.

Encanta, como um mantra.

Ian Lasserre (Foto: Matheus Pirajá)

Na busca por enclausurar esse feitiço, transformá-lo em música, o músico soteropolitano Ian Lasserre dá início ao seu primeiro trabalho solo.

“Lá vai ele nadando contra a maré”, canta o artista de 30 anos, de voz solta, hábil por avançar até as notas mais agudas e ardidas, para fazer sentir, no som, o esforço pelo qual o “ele” passa durante essa hercúlea batalha contra as águas.

Maré, a música em questão, é o primeiro single de Sonoridade Pólvora, o álbum a ser lançado nesta terça-feira, 12.

A música, que pode ser ouvida com exclusividade do Outra Coisa, é uma das quatro canções do disco assinada apenas por Lasserre, adornada por uma formação mínima, de voz, violão, atabaque, guitarra e baixo.

“É uma canção mântrica”, explica o músico.

“Quando a compus, estava em um momento bastante meditativo e ela veio para mim. Aos poucos, fui percebendo que ela narra uma jornada do herói. Não que seja o herói tradicional, mas um personagem que pode transcender para um plano interior, que persiste contra a maré.”

Na faixa, a jornada se inicia com o mar a empurrá-lo para o caminho errado até que o personagem se torna capaz de caminhar sobre as águas, “como se fossem pedras rígidas”.

Sonoridade Pólvora passou a tomar forma no encontro de Lasserre e o produtor Sebastian Notini, também responsável pela mixagem do disco. Com a música Rio Bahia, publicada no YouTube em 2014, Lasserre chamou a atenção do selo sueco Ajabu.

Os dois, então, passaram a gravar juntos. De Notini veio a ideia de manter a sonoridade o mais minimalista possível, conta o músico.

“Vou parafrasear o Notini: ‘no minimalismo, você consegue absorver o máximo da interpretação de determinada música’.”

O mar é sempre presente nas composições de Lasserre. “Sou fascinado”, ele admite. Em Maré, ele transborda.

Ouça Maré: 

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