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Herói Demolidor ganha nova chance com série de TV e aposta no realismo

Pedro Antunes

09 de abril de 2015 | 20h44

Matt Murdock, também conhecido como o justiceiro mascarado Demolidor, e Wilson Fisk, o Rei do Crime, juntos, lado a lado, na mesma mesa. Uma cena praticamente impensável nos quadrinhos. A não ser que eles estivessem trocando sopapos. Charlie Cox e Vincent D’Onofrio, herói e vilão, respectivamente, da primeira empreitada da editora de quadrinhos Marvel em parceria com a Netflix, contudo, entendem que os dois personagens rivais são mais similares do que eles mesmo gostariam de admitir. 

 

Na série Demolidor, que chega ao serviço de vídeo de streaming nesta sexta-feira, 10, com os 13 episódios de uma vez, com uma hora de duração cada um, a ideia é fugir do estereótipo de super-herói com máscara, uniforme colado ao corpo e cueca sobre as calças. A realidade é levada a sério de uma forma ainda inédita nos empreendimentos da Marvel fora dos quadrinhos, em um processo iniciado em 2008, com o filme Homem de Ferro – saiba mais sobre o universo cinematográfico da empresa ao lado.

Até mesmo o fato de o personagem ser cego e “enxergar” por uma espécie de radar criado pelos outros sentidos é explorado com leveza. Com a série, o herói ganha nova chance depois do fiasco do filme de 2003, estrelado por Ben Affleck e dirigido por Mark Steven Johnson, que pecou nos excessos.

Diferentemente de outros produtos do estúdio Marvel, quando o humor e seres fantásticos ganham as telas, como o deus nórdico Thor e o gigante esmeralda Hulk, Demolidor mantém os dois pés colados no chão. No caso dele, em Hell’s Kitchen, bairro nova-iorquino também conhecido como Cozinha do Inferno, nos gibis.

Não se trata de ameaças de escala global, como acontece com Os Vingadores, grupo liderado por Homem de Ferro e Capitão América. Com o Demolidor, o caso se resume ao seu bairro, a vizinhança. Nada de extraterrestres e seres ultrapoderosos. Ele bate – e muito – nos marginais, ladrões e encontra, no meio do caminho, um sujeito que, assim como ele, quer limpar a cidade. No caso de Wilson Fisk, contudo, tudo gira em torno do quanto ele pode lucrar com isso.

As similaridades e o afeto por Hell’s Kitchen estão ali. “Os dois, sim, querem melhorar a cidade. A história começa assim e acho que termina assim também”, diz D’Onofrio, o primeiro a responder. “Eles querem o melhor para a cidade”, completa. Para Charlie Cox, intérprete do advogado Matt Murdock durante o dia e Demolidor, à noite, os dois personagens “são conhecidos por serem polarizados, dois lados de uma mesma moeda”. “Mas a realidade é que grandes inimigos são mais parecidos do que eles gostariam. Senti que isso pode ser mais realista.”

Durante o papo com o Estado, fica claro que os dois atores estão ligados à origem dos personagens, nos quadrinhos, principalmente com a fase escrita por Frank Miller, durante os anos 1980, e um clássico para qualquer fã de quadrinhos. Foi com Miller que o conhecido como Homem Sem Medo se tornou mestre em artes marciais, aproximou-se da cultura japonesa, dos samurais e ninjas, e viveu seus anos de ouro.

Há ainda a HQ Fim dos Dias, assinada por Brian Michael Bendis, um clássico que se passa depois da morte de ambos. No quadrinho, o Demolidor mata o Fisk, conhecido como Rei do Crime, e quase enlouquece. Um precisa do outro e não há escapatória. “Esta é uma das minhas favoritas”, diz D’Onofrio e Cox concorda e elogia o texto de Bendis.

A série de TV vai fundo no visual mais bruto e cru. A violência está lá, é claro, mas não é gratuita, como ressalta Cox. “Um bom texto justifica a violência”, afirma.

Demolidor é o primeiro passo da parceria de Netflix e Marvel. Depois dela, virão séries de outros heróis que frequentam Hell’s Kitchen, como Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Juntos, eles formarão o grupo Defensores, também com uma temporada própria. Mas não espere uma mudança de tom ou grandiosidade demais. A regra é ser tão real que encontrar Cox e D’Onofrio juntos, em uma mesa, seja difícil de aceitar.

 

 

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