Felipe Antunes abre a carne, mostra-se cru em novo disco
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Felipe Antunes abre a carne, mostra-se cru em novo disco

Pedro Antunes

17 de agosto de 2018 | 21h21

No princípio, veio a lâmina.

Cruel, cortante, arregaçando a carne de cima para baixo.

Felipe Antunes (Foto: Jackeline Stefanski)

Assim era Lâmina, a estreia de Felipe Antunes como artista solo – ele compõe também o inventivo, melódico e duas vezes indicado ao Grammy Latino trio Vitrola Sintética.

Ali, estava exposto, aberto, delicadamente (e assustadoramente) desprotegido. Ainda aberto, e agora cru, Antunes tem seu segundo trabalho lançado. Como o antecessor, trata-se de um álbum-livro, um disco acompanhado de uma publicação com letras e poemas.

Álbum-livro terá seu lançamento neste sábado, 18, no Sesc Avenida Paulista, às 21h30. Para todas as informações, acesse o evento criado no Facebook do artista.

Cru é o nome do novo trabalho de Antunes. Cru também era uma canção de Lâmina, gravada da maneira mais lo-fi possível, registrada em um rolo de fita cassete.

Agora, a versão em estúdio tem a participação de Tjalle Rens, um violoncelista holandês que ele conheceu sem querer, momentos antes de iniciar uma apresentação em uma sauna em Amsterdam, na Holanda – sim, a história beira o surrealismo.

Tjalle se apresentou, propôs improvisar algumas linhas de violoncelo para acompanhar Antunes naquela apresentação de voz e violão. Deu tão certo que seguiram em turnê pela Europa e gravaram Cru (a faixa, de novo, e o álbum, em Portugal).

Cru, o disco, é um trabalho refinado. Se em Lâmina, o importante era a exposição rasgada pela lâmina metafórica (ouça Pretensão e tente não cair no choro), aqui Felipe quer expandir suas temáticas. “É um álbum que abrange mais coisas”, ele concorda. “Trago (neste novo disco) mais questões, mais temas transcendentais, algo entre o sagrado e o profano.”

É um trabalho, como Antunes diz, “pós-exposição”. A partir dali, aberto, ele está disposto a escancarar uma parte da sua personalidade artística.

Cru dialoga esteticamente e tematicamente com Lâmina – e isso é fundamental.

Um belo retrato de um artista em constante movimento, sem esquecer o caminho percorrido.

Para ouvir Cru, clique aqui.

(Siga o autor do blog e conheça o ‘Tem um Gato na Minha Vitrola’, um programa de música feito nos stories do Instagram)

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