Em novo projeto, Felipe Puperi, do Wannabe Jalva, grita a liberdade com ecos de guitarra, afrobeat e do novo R&B
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Em novo projeto, Felipe Puperi, do Wannabe Jalva, grita a liberdade com ecos de guitarra, afrobeat e do novo R&B

Pedro Antunes

27 de novembro de 2017 | 17h03

Com Tombamento Inevitável, Felipe Puperi, vocalista da banda gaúcha Wannabe Jalva, deixa sua música vagar.

Canta o voo. 
A despedida. 
O deixar ir.

Tagua Tagua, novo projeto de Felipe Puperi (Foto: Bruna Valenttini)

A euforia da liberdade, escancarada ou não, avança e se propaga em cada uma das três canções do EP de estreia do projeto Tagua Tagua, lançado com exclusividade aqui no blog Outra Coisa.

Seria fácil – e limitador – encontrar sentido nesse grito de liberdade apenas a partir da estética do trabalho de Puperi solo. Há um salto para uma narrativa mais ritmada, de ênfase no compasso.

Por isso, ele lançou Rastro de Pó em primeiro lugar,  a mais suindaga das três novas músicas. O descolamento sonoro, depois dela, deixa de ser novidade para se tornar entendimento: esse será o caminho percorrido por Puperi aqui.

Na canção, o trio de sopros merece destaque – Tuzinho (trompete), Boquinha  (trombone) e Nê Kisiolar (sax barítono) dão calor à uma voz propositalmente fria, distante e com ecos.

A roupagem das três músicas de Tombamento Inevitável é quente, firme e fundamentalmente erguida a partir das referências de Puperi em nomes do novo R&B, mezzo eletrônico, mezzo suingado, de reverbs tão importantes quanto a leveza na munheca da mão que toca nas cordas da guitarra.

É tanta quentura ali, que a voz de Puperi, em Tagua Tagua, vem gelada – no bom sentido. Distante, impenetrável, ela ganha cores aos poucos, sabores difusos e acalanta o calor exagerado que vem do afrobeat.

É como colocar uma pedrinha de gelo em café fumegante em um dia tão quente que um ovo se fritaria no asfalto queimando. A bebida não fica nem quente, nem fria demais.

(Peço desculpas por essa metáfora sem pé nem cabeça. Voltando…)

Tombamento Inevitável é formado por três faixas. Do Sufoco e Rastro de Pó eram conhecidas até esta segunda-feira, 27, quando o EP enfim ganhou vida.

A terceira canção é a inédita Tu Nada Demais, o fim do quebra-cabeças proposto por Tagua Tagua a respeito dessa nova liberdade.

Tombamento Inevitável, masterizado por Brian Lucey (Danger Mouse, Liam Gallagher, The Kills, Ringo Starr, entre outros tantos ), é invariavelmente sobre os três passos para a libertação.

Passado, presente e futuro.

Tagua Tagua, novo projeto de Felipe Puperi (Foto: Bruna Valenttini)

Liberta-se do passado, das amarguras, das lembranças que machucam, com Rastro de Pó.

Do Sufoco é a percepção que não há amarras no hoje. Estamos livres, todos, para seguir, afinal. No sufoco, trombando, caindo, da forma que for. O caminho é esse, mesmo.

Tu Nada Demais, mais amarga das três, também é a mais libertadora. É o futuro que se clareia após a compreensão de passado e presente (e das duas músicas anteriores).

A partir delas, Puperi deixa o que lhe segurava partir. Entende as despedidas.

“Vivi /
Te vi /
No ar”, diz a canção.

Livre, Tagua Tagua é a reconstrução, de dentro para fora.

Conheça o EP Tombamento Inevitável: 

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