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David Bowie e Donny McCaslin, juntos em ‘Blackstar’, criaram o som da morte

Pedro Antunes

17 de agosto de 2016 | 03h00

Sete meses e um dia. E só então Blackstar, o derradeiro disco de David Bowie, voltou a tocar nos fones de ouvido. Antes disso, entre a data da morte do músico inglês e a data da entrevista com Donny McCaslin, a possibilidade de ouvir as canções nas quais o camaleão escancarava a proximidade do fim era dolorosa demais.

As horas intermináveis daquela segunda-feira, 11, dia seguinte à morte de Bowie, os textos e mais textos escritos sobre o músico de tantas facetas (veja o link para alguns deles abaixo), foram acompanhadas por execuções repetidas de Blackstar. O disco não parou de rodar. Tocou até sangrar. Ou chorar a saudade.

O 25.º disco da carreira de Bowie voltou a ser ouvido no esforço hercúleo de descolar os versos melancólicos cantados do restante das harmonias instrumentais. Ouviram-se (e ainda se ouvem) as pistas deixadas pelo inglês ao longo daqueles 41 minutos divididos em sete canções.

Ele estava morrendo. Dizia isso. Escancarava ao se colocar como o novo personagem, e último, da carreira, o Blackstar, o profeta caído, a estrela que estava próxima da extinção – a explosão de luz antes da escuridão do espaço engolir planetas para sempre.

Donny McCaslin (leia entrevista com ele aqui) e banda são, entre vazios, agudos estridentes e ruídos desconstruídos, o som do apocalipse. Rompe-se com o pop pela liberdade jazzística e encontra-se uma linguagem própria: o som da proximidade da morte.

McCaslin, saxofonista da banda, é atração do Jazz na Fábrica, na quinta e sexta-feira, dias 18 e 19. Os shows, marcados para começar às 21h nas duas datas, são realizados no Sesc Pompeia.

Ouça ‘Blackstar’ na íntegra:

Análises sobre a obra de David Bowie:

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