Crítica: Frágil, novo Aranha quer ser Homem, mas ainda é um menino – e isso é ótimo
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Crítica: Frágil, novo Aranha quer ser Homem, mas ainda é um menino – e isso é ótimo

Pedro Antunes

05 de julho de 2017 | 19h46

Ele quer um lugar ao lado dos grandes. Quer pertencer ao círculo dos semideuses, supersoldados, brutamontes verdes. Era um gurizinho de 7 anos quando Nova York quase foi invadida por alienígenas.

Ganhou seus poderes de aranha – a habilidade de dar piruetas no ar e se agarrar em qualquer superfície –, mas seria capaz de ser um dos Vingadores? O jovem Peter Parker acha que sim. Tony Stark, o Homem de Ferro, discorda.

De Volta ao Lar, o novo filme do Aranha é sobre um caminho, um início. Não é a origem, contada já duas vezes nos cinemas nos últimos 15 anos. A picada da Aranha radioativa, a morte do Tio Ben, o lema “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, tudo está ali, mas nada escancarado.

Parte-se do pressuposto que quem vai ao cinema para assistir ao sexto filme do herói já conhece seus conceitos básicos.

A empreitada de Jon Watts é mais pessoal, mais particular. Os Aranhas anteriores, interpretados por Tobey Maguire e Andrew Garfield, sugeriam os dramas pessoais, as perdas daqueles que amavam, mas eram mais Homem-Aranha do que Peter Parker.

Em dado momento, Stark, uma espécie mentor do jovem Parker, diz que se ele “não é nada sem seu uniforme, ele não merece usá-lo”. É a jornada de merecimento que acompanhamos aqui. Aquele por dentro da roupa vermelha e azul ainda não está pronto para o desafio da vida adulta, embora a petulância da adolescência grite o contrário. Maguire e Garfield eram mais homens, mais adultos.

Holland não aparenta ter os 21 anos da vida real e interpreta um garoto de 15.

Temos, diante de nós, o menos preparado de todos os heróis dessa geração de filmes que leva as HQs para as telas. O mais frágil e indefeso. Outros supers, por menos adaptados ao heroísmo que estejam no início dos respectivos filmes, logo se transformam no herói que eles deveriam ser.

Esse Parker, não.

Quer ser o Homem-Aranha, mas ainda é o Menino-Aranha. Ele teme e ainda é incapaz de lidar com as suas próprias emoções. Coloca-se em situações complicadas demais para que ele resolva sozinho.

Ao dar mais tempo de tela para Parker em vez do Aranha, Watts enfim cria a empatia que o personagem gera nos quadrinhos – é Parker que enxergamos, mesmo quando ele está vestido de Aranha.

Ainda um menino que, veja só, tem medo de altura.