Biltre desorienta as amarguras com humor e leveza em novo disco; ouça ‘Nosso Amor Vai Dançar’
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Biltre desorienta as amarguras com humor e leveza em novo disco; ouça ‘Nosso Amor Vai Dançar’

Pedro Antunes

03 de novembro de 2017 | 10h02

A verdade é que a “bad” vai chegar, de um jeito ou de outro.
Vai ser arrasadora.
Daquelas de abalar até o mais forte.
A questão, contudo, é como lidar com a amargura.
Chorar? Rir?
A banda carioca Biltre prefere o riso.

Biltre (Foto: Kika Diniz)

Com Nosso Amor Vai Dançar, novo disco do quarteto formado por Arthur Ferreira, Dioclau Serrano, Diogo Furieri e Vicente Coelho, lançado aqui no blog Outra Coisa, eles ensinam como lidar com as amarguras da vida: sem chororô.

Em tempos de ódio, raiva, azedume e sofrimento, os Biltre sugerem o desconserto, a desconstrução do status quo melancólico de 2017 com acidez, beats e leveza.

É essa a força de Nosso Amor Vai Dançar, o inverso do produzido pelo desalentado universo indie ao longo deste ano.

Amores acabam, afinal. 

Como diz o single Nosso Amor Foi um GIF, uma parceria entre a banda e Gregorio Duvivier, humorista, roteirista, colunista e mais um monte de “istas”.

O sucesso da canção, que ultrapassou a invejável marca das 100 mil audições no serviço de música por streaming Spotify, é a prova de que o indie está disposto a rir um pouco da suas próprias lágrimas e das suas derrotas sentimentais.

Uma música a explanar sobre expectativas e realidades, sobre supor que aquele beijo, numa festa, poderia ser mais do que isso. Às vezes, meus caros, não é.

“Sonhei com você / O nosso amor era um longa-metragem”, dizem os dois primeiros versos da música. A expectativa está aí.

A realidade, porém, é outra: “Foi ligerin, foi pá pum”

Foi um amor GIF – quem nunca teve um desses gravado na memória? Um videozinho em looping a registrar aquele ínfimo momento de intimidade que nunca mais se repetiu. Ficou assim, curto, sem continuação.

Ferreira, Serrano, Furieri e Coelho não menosprezam a dor, entenda você. Pelo contrário, eles a sentem, a processam e a regurgitam por meio do escárnio. É uma forma de lidar com as decepções, afinal.

O que Nosso Amor Vai Dançar é propor um molejo para encarar a aspereza. Um pouco de sacanagem também, mais mãos nas coxas, mais descompromissos, mais sextas-feiras, como cantam em Biju, a quarta faixa do álbum.

Nada escapa da malícia do Biltre, inclusive a própria paternidade, como diz a música Filho de Fela – na qual sugerem a existência de uma geração de crianças concebidas ao som do afrobeat do nigeriano Fela Kuti.

A chacota dos guris transforma Your Love, o reggae de sotaque britânico do quarteto The Outfield, em um pancadão delicioso que desce dos morros cariocas para as praias da zona sul do Rio. 

É como fizeram com o primeiro disco, Bananobikenologia, de 2015, quando sacuriram o indie carioca ao colocar o Radiohead na roda de Pissaicou.

Como eles dizem em Superficial, a música escolhida para abrir o álbum:

“Mas eu não quero sair dessa /
Tá bom a beça /
Você conversa e eu quero diversão /
Porque eu não tenho paciência /
Pra tanta letra /
Chega de estrofe eu quero mais refrão.”

Faço deles as minhas palavras: por um mundo com mais refrãos, menos lenga-lenga.

Como representantes de uma geração sem cabrestos, os Biltres voam esteticamente para o lado que bem entendem. Soam charm, temperam com funk melódico, salpicam a mistura com beats, brega, melody, dub e o que mais tiverem à disposição.

Biltre (Foto: Kika Diniz)

Nosso Amor Vai Dançar é aquele drink feito numa reunião com os amigos, no qual mistura-se as bebidas alcoólicas disponíveis no balcão do churrasco.
O efeito é instantâneo.
Uma bomba etílica de euforia.
Não há bad que se sustente depois dela.

Biltre vai lançar o segundo disco em São Paulo em uma noite no Dia do Groove, no Mundo Pensante, casa localizada na Bela Vista. A banda divide a noite com a Banda Uó e Falcatrua, de Belo Horizonte. Ingressos aqui.

Nosso Amor Vai Dançar sai em formato digital (na plataforma da sua preferência) e como pen-drive em formato de chinelo de dedo, em uma parceria com a Rider.

Ouça Nosso Amor Vai Dançar, o segundo disco da Biltre:

 

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