Aíla dá vida a grito contra corrupção, violência e descaso com clipe de ‘Tijolo’; assista
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Aíla dá vida a grito contra corrupção, violência e descaso com clipe de ‘Tijolo’; assista

Pedro Antunes

21 de novembro de 2017 | 11h07

Aíla é um sopro que daqueles que derrubam.
É forte.
A pancada sacode.
E faz pensar.

Aíla, em gravação do clipe de ‘Tijolo’ (Foto: Christian Braga)

Naturalmente potente, a cantora se transforma numa espécie de anjo caído no vídeo de Tijolo, dirigido por Julia Zakia, lançado com exclusividade no blog Outra Coisa.

A artista dá vida a uma figura desolada com a aridez e a imundice que encontra por aqui.

Canção “meio lado B” de Em Cada Verso um Contra-Ataque, como ela mesma diz, Tijolo (escrita por Carlos Posada, do Posada e o Clã) é aguda no discurso.

Afiada, ela questiona o estado de inanição e inadequação. 

“Falta pão, falta livro /
Falta corpo, falta espírito”, diz um trecho da canção.

Mas as ausências ditas ali são a última consequência, o respingo que cai direto na base da sociedade. O que Aíla faz, a partir da canção, é apertar o cerco contra o que causa.

E o problema, canta ela, está lá em cima.

“Parece arte, revolução /
Mas é tudo conchavo do Zé da imprensa /
Com a empresa do João /
Briga de peixe grande /
Quadrilha de piaba”, canta ela.

Aíla (Foto: Christian Braga)

Tijolo é uma música que toca em temas urgentes do Brasil de hoje”, explica Aíla.

“Fala de corrupção, da imprensa manipuladora, do descaso com o meio ambiente, a violência das barragens, toda a sujeira que marca as relações de poder, os conchavos. Escancara e denuncia o egoísmo do capital, a ausência de direitos básicos: educação, saúde, alimento, terra”, completa.

Sob bases de um piano atordoante, Aíla faz um canto falado, apocalíptico. Não há gracejos na voz. Seu alicerce é (e precisa ser) firme para dar conta de um discurso tão forte e contundente.

Não é, inclusive, por acaso que o vídeo sai neste mês de novembro, quando se completa dois anos do desastre ambiental de Mariana, o maior da história brasileira. Em 5 de novembro de 2015, rompeu-se a barragem de Fundão e foram despejados 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Como evidencia outro trecho da canção:

“Uns vão simulando tristeza /
Outros fazendo piada /
Confundindo a pesca do povo /
Poluindo as águas”

A estética adotada por Julia Zakia coloca a artista na terra. Suja, enlameada, mas também conectada com o chão. Próxima de onde a luta deve ser travada.

“Eu me entreguei, imergi. Realizei uma performance que reflete a sensação de angústia, de incômodo, a urgência da denúncia”, conta Aíla.

Em Cada Verso um Contra-Ataque, o disco, foi realizado com o auxílio do edital Natura Musical.

+++ Aíla não foge à luta em novo disco perfeito para tempos conturbados; ouça e baixe

Tijolo é um dos cinco videoclipes a serem lançados pela artista que serão reunidos em um pencard audiovisual, juntamente com imagens de bastidores, em um processo realizado com o patrocínio da empresa de telefonia Vivo.

O clipe de Lesbigay, indicado na categoria de melhor videoclipe do ano pelo Women’s Music Event Awards, dedicado exclusivamente às mulheres, também está incluído na série.

Com Tijolo, Aíla segue na luta pelo o que acredita. Desvia dos diretos e dos ganchos, revida. Contra-ataca.
E é uma adversária feroz.

Assista ao clipe de Tijolo:

Assista também ao clipe de Lesbigay:

 

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