A partir de Jon Spencer Blues Explosion, filme ‘Em Ritmo de Fuga’ cria a narrativa musical perfeita para o escapismo; ouça a trilha
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A partir de Jon Spencer Blues Explosion, filme ‘Em Ritmo de Fuga’ cria a narrativa musical perfeita para o escapismo; ouça a trilha

Pedro Antunes

24 Julho 2017 | 20h48

O texto a seguir foi escrito ao som de Bellbottoms, do Jon Spencer Blues Explosion, a canção escolhida por Edgar Wright para abrir seu Em Ritmo de Fuga, na tentativa de emular aqui o que se passa na tela.

A música que sai dos fones de ouvido do lado de cá também pulsa nos ouvidos feridos de Baby, o motorista de fuga sob as ordens de Doc, o bandido que não é tão mau assim de Kevin Spacey, em sua primeira fuga no filme.

Lá, perde-se o fôlego um punhado de vezes, em cenas coreografadas por Ryan Heffington, o mesmo dos clipes da cantora Sia.

O carro gira, o som aumenta, em riffs cavalares.

O veículo derrapa, os vocais rasgados de Spencer martelam na cabeça.

A fuga tem êxito, o som desaparece.

Fica o ruído da barulheira do lado de cá, tal qual o zumbido crônico que atormenta Baby.

Baby Driver (Foto: Big Talk Productions)

E, embora não seja só a explosão do blues rock de Jon Spencer que domine as playlists do motorista, é a fuga da realidade que ele busca.

E a encontra na fúria do rock e nas baladas melosas dos The Commodores e no suingue de Bob & Earl. O amor toma forma com Deborah, do T. Rex, e o sonho com o futuro se alimenta de Let’s Go Away For Awhile – que não precisa ter versos para fazer a imaginação correr para fins de tarde ensolarados em boa companhia.

As canções escolhidas têm, em comum, a ideia da fuga. Seja social, cultural, política. Os BPMs (batidas por minuto) ditam o ritmo lá e cá.

Quando Jon Spencer se silencia, o fim parece ter vindo rápido demais.

Assim como a velocidade do acerto de Edgar Wright, vicia.