3Cruzeiros propõe viagem por futuro estrambólico com robôs, cores e psicodelia em novo disco; ouça
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3Cruzeiros propõe viagem por futuro estrambólico com robôs, cores e psicodelia em novo disco; ouça

Pedro Antunes

15 de novembro de 2017 | 12h20

Os versos deixam as coisas fácil demais.
Difícil, mesmo, é criar uma narrativa sem eles.
Como contar a história sem a linguagem oral?

3Cruzeiros (Foto: Ana Shiokawa/Estúdio Moshimoshi)

3Cruzeiros, o trio de experts da música contemporânea brasileira, formado pelo guitarrista e produtor Pedro Penna, o baixista e tecladista Hurso Ambrifi e pelo baterista Pedro Falcão, toma a mão do ouvinte. E leva-o para dançar por temas que ultrapassam barreiras e gavetas musicais.

Assim, Cruzeiro Novo, o disco do trio que estreia aqui no blog Outra Coisa, se mostra um grande exercício de libertação de mentes sem o uso da psicodelia desmedida.

Sim, o rock nacional se iniciou, nesta década, em uma jornada de redescoberta da psicodelia. Os reverbs e as camadas de guitarra sobrepostas, às vezes mais altas que os vocais diminutos, estão por todos os cantos.

E isso é ótimo.

Mas a psicodelia de 3Cruzeiros é outra. As guitarras estão mais limpas, guiadas pelo furor da guitarrada paraense, enquanto a bateria opera por compassos frenéticos esparramados em latinidade e leva, consigo, o baixo, para um ambiente mais acalorado.

Ouça Lambuzada de Razão

Quente.
3Cruzeiros é perfeito para um dia como esta quarta-feira, 15 de novembro, feriado nacional, com um calor não muito fritante abaixo dos 30°C, mas forte o bastante para descolar algumas gotinhas de suor das têmporas.

A viagem, aqui, é outra. Os climas, dentro dessas 10 faixas, todas instrumentais, são menos etéreos. São vivos e pulsantes.

Músicos experientes, os três têm, nos currículos, trabalhos com artistas como Thiago Pethit, Tiê, Johnny Hooker, Lulina e Ludov.

Juntos, contudo, criam uma identidade muito própria.

Cruzeiro Novo também será lançado em formato de HQ, em uma parceria com a Miolo Frito, vendida nos shows e em alguns eventos pontuais. Há, no quadrinho, um QR Code que, ao ser lido pelo smartphone, mostrará onde o disco pode ser ouvido ou baixado.

Na trama da HQ, a efervescência sonora se transforma em uma abundância de cores e traços estrambólicos.

A narrativa proposta pela Miolo Frito é uma das inúmeras possibilidades de trama que o disco oferece. A liberdade criativa, expandida pela ausência de versos, é quase infinita.

3Cruzeiros (Foto: Ana Shiokawa/Estúdio Moshimoshi)

No caso deste que aqui escreve, por exemplo, Cruzeiro Novo é a trilha sonora de um filme aventuresco, tipo aqueles de do espião britânico James Bond. Mas esqueça os ternos alinhados, gadgets de última geração, carrões e coisa do tipo. 

O protagonista também não é nada galante como Daniel Craig. Falta-lhe cabelo na cuca, sobra-lhe nos braços e peito. Está fora de forma e a camisa florida, com quase todos os botões soltos, não lhe favorece seu físico de frequentador de bares e bebedor de cervejas baratas.

O filme imaginário se passa em um futuro não tão distante, por volta de 2027, com os exageros do cinema de Bollywood e locações na América Latina – talvez Cuba ou alguma ilha caribenha.

Há  robôs humanoides, perseguições debaixo do sol, vilões cômicos, transas estranhas e reviravoltas improváveis.
Pode-se imaginar o que quiser.

Ouça Cruzeiro Novo e faça você, mesmo, a sua viagem:

 

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