O que seria delas sem os cariocas?*

O que seria delas sem os cariocas?*

Patrícia Villalba

22 de novembro de 2010 | 12h13

Du Moscovis como o "traído virtual" do seriado As Cariocas. Foto: Ique Esteves/Div.

Devo admitir que, como paulistana e agora moradora do Rio, fico com certa inveja das cariocas, que ganharam um seriado só para elas na Globo. Está certo que a maioria das atrizes que protagoniza o programa de Daniel Filho não é carioca e que o Luciano Huck bem observou, numa conversa que tivemos no set, que “mulher maluca tem em todos os Estados do Brasil”. Mas, no fim das contas, quem vem passando como as lindonas do pedaço são elas, as “da gema”.

 Invejosa controlada, dou o braço a torcer: aqui há mesmo muita mulher bonita na rua, favorecidas pelo figurino despojado que cai tão bem à beira-mar. Mas percebi também que a fama das cariocas não é coisa delas, mas deles. Será que as cariocas são excepcionalmente bonitas ou serão os cariocas contempladores por natureza?

Desconfio de que se juntou aqui a fome com a vontade de comer, como diria minha tia Sebastiana. No dia-a-dia da cidade, tropeçando em galanteios cheios de “S” na rua, a mulher migrante pode ter certeza de que os cariocas são os maiores paqueradores do Brasil. Nesse quesito, vencem até os baianos, que têm as cantadas mais diretas que já se ouviu pronunciar. Observador e conversador, o paquerador carioca tem malandragem suficiente para perceber um corte novo de cabelo numa desconhecida – sim, acredite! – e não vai logo elogiando a cor do esmalte das unhas do pé de uma “princesa” que vê no elevador.

Por isso, acho que os cariocas mereciam melhor tratamento em As Cariocas. No episódio da semana passada, por exemplo, quando o protagonista Armando (Eduardo Moscovis) descobre a “ traição virtual” da mulher Gleicy (Cintia Rosa), que se exibe na internet, o locutor (Daniel Filho) atesta: “Amando pensou: nunca mais uma deusa como essa vai baixar no meu cafofo.”Com a estampa de Du Moscovis e a lábia do carioca? Duvido que não, seu Daniel.

* texto publicado na coluna Quanto Drama!, do suplemento de TV do Estadão, em 21/11/2010.

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