Lô Borges e Samuel Rosa sonham com disco em parceira
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Lô Borges e Samuel Rosa sonham com disco em parceira

Julio Pacheco

30 de junho de 2016 | 00h30

Os mineiros, que já lançaram DVD celebrando o encontro, falam sobre as carreiras, o mercado fonográfico e o momento político do país em entrevista à Rádio Estadão

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Um deles simplesmente ajudou a criar o Clube da Esquina. O outro, é o líder de uma das principais bandas de pop rock do país.

Lô Borges e Samuel Rosa celebram esse encontro (que de tão inesperado, é genial) em três shows no Sesc Pinheiros, nesta sexta, sábado e domingo, os três primeiros dias do mês de julho.

Pode parecer natural que Samuel beba muito na fonte de Lô por conta das gerações distintas. Isso acontece, é claro: “eu tocava as músicas dele na minha adolescência, na rodinha de violão, tentando conquistar alguém. Depois, quando fui ensaiar com ele, mostrei as canções que eu já tinha tirado e ele disse que as harmonias estavam todas erradas! Tá faltando acorde aí”, confessa Rosa. “O lado bom é que eu aprendi com ele, isso é um luxo”, completa.

Mas a admiração é recíproca, segundo Lô: “fico na maior alegria de ver ele cantar as minhas músicas e também de tocar Skank. Parece um repertório nosso – as vezes parece que ele compôs as coisas do Clube da Esquina comigo, a gente se diverte bastante”, comenta empolgado.

Os dois foram entrevistados no programa Estadão Noite, da Rádio Estadão, e a íntegra vai ao ar nesta quinta-feira, 30, às oito da noite.

A parceira começou nos anos 90. Primeiro, Lô Borges decidiu gravar Te ver, do álbum Calango (1994). Logo as pessoas começaram a instiga-lo a fazer algo com a banda que começavam a aparecer no mercado: “Em 1999 nos reunimos para um show e depois fomos nos tocando de tempos em tempos”.

A sinergia no palco foi algo que de cara chamou a atenção de Rosa: “às vezes você admira uma pessoa mas não funciona quando vão tocar juntos. Quando essa troca é mútua, tem que se aproveitar”.

Após isso, começaram a chegar as composições: ao lado de Nando Reis, escreveram Dois Rios, que ajudou a premiar o Skank com o Grammy Latino pelo álbum Cosmotron.

Agora, eles calculam que sejam quase dez canções escritas em parceria – apenas quatro gravadas: “já dá pra gravar um disco, talvez esse seja o próximo passo da dupla”, projetam.

Sobre o atual momento da indústria fonográfica, o líder do Skank, que é um dos grandes sucessos de vendagem na história do país, pondera: “Eu assinava uma revista inglesa e ia grifando as resenhas de discos que poderiam ser interessantes. Depois, procurava o disco pra comprar – era assim que eu conhecia o que acontecia no mundo. Hoje, a facilidade de ouvir um disco inteiro na internet é fantástica – mas nem por isso estamos produzindo coisas melhores. O ritual de ouvir música ficou muito surfista e pouco mergulhador, ninguém escuta um disco inteiro. É a cultura da playlist”.

A polêmica sobre o pagamento de direitos autorais em serviços de streaming também foi pauta de reflexão por Rosa: “A Apple e Spotify estão ganhando dinheiro, só a gente que não. Estou muito revoltado com o que essas plataformas fazem sem remunerar os músicos de verdade. O compositor que não faz show vai sobreviver como?”, critica Rosa. “É um período de muitas mudanças e a gente não está conseguindo aproveitar tudo que eles oferecem”.

Os ingressos pros shows de Samuel Rosa e Lô Borges no Sesc Pinheiros neste fim de semana já estão esgotados, mas você pode ver um registro dos dois em um DVD que já está nas melhores lojas do país.

E você pode ouvir a íntegra da entrevista na Rádio Estadão, a partir das 20h desta quinta-feira, 30, em FM 92,9 (São Paulo) ou clicando aqui

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