Gal Costa: “cantar uma canção pela primeira vez é como fazer amor”
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Gal Costa: “cantar uma canção pela primeira vez é como fazer amor”

Julio Pacheco

14 de abril de 2016 | 00h59

Não dá para falar de Gal Costa sem se arrepiar, sem se emocionar. Com setenta anos de idade e cinquenta de carreira, lançou um dos grandes discos da década até aqui, o Estratosférica, de 2015.

Gal poderia ter vários sobrenomes: Costa, Veloso, Gil, Buarque ou Nascimento. Mas recentemente, decidiu incorporar ao seu nome o Camelo, o Magalhães, Monte, Antunes, Preto e Kassin.

Ela chega a São Paulo com o show Estratosférica no Tom Brasil neste sábado, 16, mostrando canções antigas com uma nova roupagem, a força de composições de artistas da nova geração e banda afinadíssima.

1431730111549

Gal Costa foi entrevistada no programa Estadão Noite, da Rádio Estadão, e explicou como é lançar seu olhar aos nomes da nova geração: “Cantar a canção pela primeira vez é como fazer amor. Você conhece a pessoa, gosta e vai fazer amor. É cada vez é melhor – e com a música é assim. Você canta uma vez, duas, três e vai melhorando. Esse repertório naturalmente se adaptou na minha voz, foi fácil”, comenta.

Ouça a íntegra da entrevista clicando aqui

Essa Gal Costa é fruto de uma parceria muito acertada com Marcus Preto, diretor musical do álbum Estratosférica. “Isso nasceu de uma forma muito espontânea. A gente se dá muito bem, ele conhece a minha história e é um cara ligado, antenado. É como se duas crianças estivessem brincando. Ele foi à caça de canções desse pessoal da nova geração, filtrou algumas coisas e acabamos escolhendo as que eu mais gostei”.

Mas não foi apenas com Preto que Gal estabeleceu um importante laço. Moreno Veloso e Kassin produziram o disco e deram a cara e sonoridade que tanto atraiu o público: “São dois anjos. O Kassin é um fofo. O Moreno eu vi nascer, carreguei ele no colo. Foi a primeira criança por quem me apaixonei. E esse trabalho, desde o Recanto (2011), até agora, nos aproximou muito”, confessa.

Tudo no Estratosférica soa fresco, e isso se traduz no palco. Algo, aliás, é fundamental para Gal: “Eu nunca acho que eu tenho essa idade. A minha cabeça pensa que eu sou mais nova – isso é muito engraçado. Hoje em dia eu tenho mais tranquilidade, sabedoria, sou mais ponderada. Mas ao mesmo tempo, não perdi o medo de me lançar e me jogar nas coisas, e gosto de arriscar. Isso permanece na minha essência”.

A rotina da cantora mudou de uns tempos pra cá. Antes, morando no Rio de Janeiro, fazia mais saídas noturnas: “Sou tranquila, saio muito de dia. Gosto de tomar um sorvete ali, comer uma salada acolá, passear. Sou mais do dia do que da noite. Quando morava no Rio, saia mais. Eu gosto muito de ficar em casa também”.

Sobre o momento político do país, a baiana se mostra cautelosa. “Tenho acompanhado tudo com muita preocupação. Eu não tenho posição e nem quero me posicionar em relação a isso. As pessoas estão muito intolerantes. Deve-se respeitar a preferência dos outros, já que o Brasil vive um momento muito difícil. Sempre houve corrupção e o fato de isso estar sendo mostrado, é uma maneira de encerrar o assunto. Rezo para que aconteça o melhor para o Brasil e o povo brasileiro”.

Quando questionada sobre as recentes polêmicas em torno da Lei Rouanet, Gal Costa é enfática: “nunca tive apoio da Lei Rouanet. Em todos os projetos que fiz, nunca recebi patrocínio, de nenhum partido ou político. Produzo os meus shows, eu invisto o que eu recebo. Nunca fui beneficiada com nada”, comenta.

Talvez tenha se esquecido da ocasião em que foi contemplada pelo Natura Musical para uma turnê em homenagem a Lupicínio Rodrigues – projeto esse, da rede de cosméticos, que conta com recursos provenientes da Lei Rouanet. “O Natura Musical foi uma exceção. Aconteceu através de um empresário da Bahia, o Mauricio Pessoa, que mandou o projeto desse show sem sequer me avisar. Nem ele esperava ser contemplado e eu tomei um susto. Acabei fazendo pois achei que era interessante”, explica. “Fiz porque o J. Velloso (que escreveu o texto do projeto) estava envolvido e poderia ser bonito, como foi!”, completa.

A verdade é que foi bonito, e faltou um registro. Mas o show do Estratosférica deve ser gravado, eventualmente, para um DVD, segundo a cantora.

Enquanto isso não acontece, Gal segue se apresentando e encantando.

 

Serviço – Gal Costa na turnê Estratosférica

Local: Tom Brasil – Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antônio

Data: 16/04/2016
Horário de início do show: 22h

Horário de abertura da casa: 2h antes do espetáculo

Censura: 14 anos

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.