‘Z: A Cidade Perdida’ é um James Gray na melhor forma

‘Z: A Cidade Perdida’ é um James Gray na melhor forma

Rodrigo Fonseca

05 de junho de 2017 | 11h59

RODRIGO FONSECA
Melhor filme hoje em cartaz nos cinemas nacionais, o novo James Gray, Z: A Cidade Perdida (The Lost City of Z), não vai durar muito tempo em cartaz, frente à pesada concorrência de blockbusters e de superestimados candidatos a cult (tipo o badalado Corra!, que não merece tanto mimo), além das escassas alternativas de mobilização midiática. No último Festival de Berlim, onde lotou todas as sua sessões, uma questão intrigou cinéfilos e críticos: por que o novo filme do realizador de Fuga para Odessa (1994) e de A Imigrante (2013) não entrou na disputa pelo Urso de Ouro? Faltam prêmios e elogios para esta aventura de timbre intimista sobre o explorador Percy Fawcett. O papel coube a Charlie Hunnam (o atual Rei Arthur de Guy Ritchie), que assume o posto de herói épico com refinamento… mesmo quando o filme resvala numa loucura à la Herzog.

Calcado na Amazônia, com várias referências ao Brasil, incluindo um anão que fala português, esta produção de US$ 30 milhões, cuja fotografia (de Darius Khondji) acentua um tom claustrofóbico, é produzido por Brad Pitt. Há, a cada cena, um risco total no diálogo com as cartilhas do cinema clássico em relação a relatos de jornadas de exploração. Mais do que recriar as expedições amazônicas de Fawcett – onde este NUNCA ataca os índios, num sinal de respeito pelas culturas da selva -, Gray investe na investigação histórica, ressaltando o envolvimento de seu protagonista na I Guerra Mundial. As cenas de batalha em trincheiras da I Guerra Mundial impressionam pelo enquadramento sombrio, quase gótico. É Gray na sua melhor forma.

 

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