‘Youth’ enfim tem data de estreia no Brasil

‘Youth’ enfim tem data de estreia no Brasil

Rodrigo Fonseca

05 de fevereiro de 2016 | 10h52

Michael Caine tem uma atuação memorável em

Michael Caine tem uma atuação memorável em “Youth”

Sob os bons augúrios deste carnaval escaldante, uma boa notícia vem garantir a folia aos corações cinéfilos deste país: enfim, a comédia Youth, pérola do diretor italiano Paolo Sorrentino, tem data de estreia no Brasil. Vai ser lançado no dia 31 de março, inaugurando o catálogo estrangeiro da mais nova distribuidora do país: a Fênix, organizada sob a curadoria de Priscila Miranda. E a produção chega chancelada pela indicação ao Oscar de melhor canção original: Simple Song #3. Falado em inglês e estrelado por um elenco das mais variadas nacionalidades, o novo longa do realizador do oscarizado (e inesquecível) A Grande Beleza (2013) se concentra numa discussão sobre lacunas emocionais e ideológicas inerentes ao verbo “envelhecer”. A trama traz Michael Caine na pele do maestro Fred e Harvey Keitel no papel do diretor de cinema Mick. Enojado da existência, Fred não quer orquestrar mais concerto nenhum. Já Mick inicia a preparação de um filme sobre o fim da vida, sonhando ter sua atriz assinatura (interpretada por uma histérica Jane Fonda) consigo. Os dois estão na marca dos 80 anos, curtindo as memórias e os impasses da idade em um hotel de luxo nos Alpes Suíços, entre ex-craques de futebol, instrutores de rapel, astros deprimidos e mulheres de fazer qualquer um salivar. Em meio a um paraíso, os dois terão a chance de rever o que sobrou: de tempo, de tesão, de fome de viver e de disposição para sonhar.

“No fundo… tudo se reporta a uma reflexão sobre aquilo que nos distrai e nos encanta, registrado pela lente de um fotógrafo, Luca Bigazzi, com quem tenho intimidade plena. Os personagens foram delineados a partir da percepção de que música e cinema são duas formas de organizar a Beleza, de dar forma à Beleza. Por isso, ao falar sobre dois criadores em frente à Finitude, espreitados pela Morte, eu quis trazer representantes dessas duas formas de expressão, que materializassem a busca do que há de mais transcendente no mundo. E, neste filme, as duas se combinam para associar o conceito de Belo à feminilidade, às mulheres”, disse Sorrentino, ao P de Pop, numa entrevista em Cannes, enquanto ele se desenvolvia a série Il Giovane Papa, com Jude Law e Diane Keaton, para a HBO.

Segundo Priscila Miranda, a opção de começar a porção “estrangeira” da Fênix com Youth é uma forma de entrar na seara da distribuição de mãos dadas com o cinema de autor. Ela já assegurou para maio De Amor e de Trevas, dirigido por Natalie Portman. “Este foi um dos filmes mais disputados no mercado de Cannes e, mais do que a disputa, tem a mítica de Sorrentino, um grande cineasta”, comemora Priscila, que lança em março um título nacional: A Luneta do Tempo, de Alceu Valença.

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