‘Wolfwalkers’ anima o Oscar 2021

‘Wolfwalkers’ anima o Oscar 2021

Rodrigo Fonseca

16 de março de 2021 | 10h17

RODRIGO FONSECA
Embora os olhares da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood estejam derramados sobre “Soul”, da Disney Plus, a indicação ao Oscar de melhor longa-metragem animado dada a “Wolfwalkers” consagra uma das potentes narrativas audiovisuais de toda esta temporada de prêmios, fazendo jus à tradição do gênero capa & espada. Fora isso, a escolha do belíssimo longa-metragem irlandês de Tomm Moore e Ross Stewart coroa ainda a Apple TV como uma plataforma digital coalhada de projetos autorais em meio à diversidade da streaminguesfera – “Cherry”, que estreou lá nesta sexta, com Tom Holland, é outra joia. Mas esta produção de US$ 12 milhões atesta ainda a vitalidade inesgotável do Cartoon Saloon, estúdio fundado em 1999, em Kilkenny, Irlanda, que vem correndo por fora da disputa entre gigantes como a Pixar, a Dreamworks, a Illumination e a Blue Sky. Eles já comam um staff de 300 artistas, dos quais a estrela é o já citado Tomm Moore, que concorreu à estatueta dourada hollywoodiana antes com “Uma Viagem ao Mundo das Fábulas” (codirigido por Nora Twomey) em 2010, e com “A Canção do Oceano”, em 2015. Ele ainda produziu o genial “A Ganha-pão”, indicado a Oscars em 2018.Seu invejável currículo hoje agita a cena animada da Europa, com tramas conectadas a lendas do Velho Mundo.

Em “Wolfwalkers”, ele narra a amizade entre Robyn, uma jovem órfã de mãe – sempre acompanhada de uma besta, para se defender das intempéries da floresta – e uma menina oriunda de um clã de licantropos, capaz de conversar com lobos e converter seu espírito em loba, quando está em perigo. A direção de arte, feita a seis mãos por Moore, Maria Pareja e Ross Stewart é um primor. E ainda tem Sean Bean (o eterno Boromir, de “O Senhor dos Anéis”) no elenco de vozes original, no papel de Bill Goodfellowe, o doído pai da protagonista. No Brasil, Isabella Koppel dubla Robyn e o genial Mauro Horta empresta a voz a Bill. Vale lembrar que o enredo do longa virou HQ, numa graphic novel com roteiro de Samuel Sattin.

p.s.: Já que o papo aqui é animação, traremos boas novas do deus do setor: Hayao Miyazaki. Tudo indica que o Festival de Cannes, sempre atento às boas novas do Studio Ghibli, pode ter o esperado “How do you live”, o novo filme do octogenário mestre nipônico, na briga pela Palma de Ouro. Seu novo desenho animado fala sobre o processo de amadurecimento de um rapazinho, em meio à convivência com um tio e com amigos num Japão em transformação, mas ainda aberto ao lirismo e à fantasia. “Kimitachi wa dô ikiru ka” é o título original.

p.s.2: Das bossas animadas do Brasil: Marcelo Marão segue a pleno vapor com a produção de “Bizarros Peixes das Fossas Abissais”, seu primeiro longa-metragem, que tem Natália Lage e Rodrigo Santoro em seu elenco de vozes.

p.s. 3: Compra correndo a edição especial da HQ mensal do Lanterna Verde, publicada aqui pela Panini Comics, que celebra o octogésimo aniversário do super-herói. A edição comemorativa acaba de chegar às bancas nacionais, trazendo dez tramas inéditas, entre elas a genial “Quatro”, escrita por Robert Venditti com desenhos de Rafa Sandoval, mostrando Lanternas em idade grisalha a falar sobre os feitos do esquentadinho Guy Gardner.

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