William Dafoe: 65 anos de excelência, 40 de obra

William Dafoe: 65 anos de excelência, 40 de obra

Rodrigo Fonseca

22 de julho de 2020 | 11h39

Rodrigo Fonseca
Aniversariante do dia, completando 65 anos neste 22 de julho, William James Dafoe, escolhido para ser o rosto a estampar o cartaz do 68º Festival de San Sebastián (18 a 26 de setembro), já é de casa. Encenou por aqui a peça “A Velha”, em 2014, com Mikhail Baryshnikov e direção de Bob Wilson; atuou no derradeiro (e exuberante) longa-metragem de Hector Babenco (1946-2016), “Meu Amigo Hindu” (2015), contracenando com talentos nacionais; e rodou aqui o filme “Trópico”, dirigido por sua mulher, Giada Colagrande. Ela esteve aqui com ele em 2011, para uma sessão de gala de Abel Ferrara, que quem é colaborador e muso, no Festival do Rio. Os dois trabalharam recentemente num monumento experimental chamado “Sibéria”, que foi uma das sensações da disputa pelo Urso de Ouro na Berlinale, em fevereiro. Na ocasião, ele, que assina profissionalmente Willem (e não William), explicou ao Estadão: “Todo filme que tem muitas camadas de significado é uma expressão política, mesmo quando o assunto das práticas de Poder não é o assunto central. Tenho com Abel uma conexão especial, pois ele me trouxe para muitos projetos muitos pessoais, numa relação de simbiose”, disse Dafoe ao P de Pop, no mesmo evento que, em 2018, concedeu a ele um Urso Honorário pelo conjunto de seus 40 anos de carreira.

Um dos atores mais prolíficos do cinema americano, Dafoe ampliou seu prestígio ao viver o Jesus de “A Última Tentação de Cristo” (1988), sob as bênçãos de Martin Scorsese, ocupando um papel delineado para Aidan Quinn. “Filmamos no Marrocos e foi algo redentor viver o Cristo de Scorsese, como protagonista, em uma época em que estava acostumado a ser o número dois. Fiz uma longa trajetória como ator de apoio, o amigo do mocinho, depois de tantos anos que venho sendo escalado para esta função. E, nela, eu aprendo muito sobre parceria com os colegas e sobre a maneira de buscar a atenção do público sem desrespeitar meus companheiros”, diz o astro, que já foi indicado ao Oscar quatro vezes, sendo três vezes como ator coadjuvante, por “Projeto Flórida” (2017), “A Sombra do Vampiro” (2000) e “Platton” (1986); e uma como ator principal, por “No Portal da Eternidade” (2018), pelo qual recebeu a Copa Volpi de melhor interpretação masculina em Veneza.
Os próximos trabalhos de Dafoe serão o novo filme do diretor Wes Anderson, “The French Dispatch”, com previsão de lançamento para 14 de outubro, e o drama dirigido por Paul Schrader, “The Card Counter”, longa teve suas gravações interrompidas por conta da crise do coronavírus. Este ano ele ganhou o Independent Spirit Award de melhor coadjuvante por “O Farol”, uma produção do carioca Rodrigo Teixeira.

p.s.: Às 15h desta quarta, a “Sessão da Tarde” exibe “Click” (2006), um dos maiores êxitos de bilheteria da carreira de Adam Sandler, o mais bem-sucedido comediante do cinemão americano desde 1998. No longa-metragem, ele vive um arquiteto workaholic que consegue um controle remoto mágico, capaz de modificar o fluxo do tempo em sua vida, a fim de poder levar sua rotina de modo mais leve. Mas sua troca de canais constante vai ocasionar sequelas em seu futuro… e em seu peso. Orçada em US$ 82 milhões, a produção faturou cerca de US$ 240 milhões. No Brasil, Sérgio Moreno dublou o astro. Vai ter exibição simultânea no Globoplay.

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