Vovô Robert De Niro peita a pandemia

Vovô Robert De Niro peita a pandemia

Rodrigo Fonseca

19 de maio de 2021 | 11h56

Robert De Niro fez a comédia “Em Guerra Com Vovô” virar um fenômeno nos EUA: US$ 40 milhões

Rodrigo Fonseca
Mesmo tendo se machucado nas filmagens de “Killers of the Flower Moon”, sua 11ª parceria com o diretor Martin Scorsese, Robert De Niro, hoje com 77 anos, garante que não vai pedir licença dos sets do thriller com ecos de western pilotado pelo mítico cineasta da Easy Rider Generation. Leonardo DiCaprio e Jesse Plemmons estão com ele em cena. Nada parece cansar De Niro que, em 2020, num dos auges da pandemia pelo mundo, tomou as bilheterias dos EUA de assalto com “The War With Grandpa”, cuja receita em circuito beirou US$ 40 milhões. Nesta quinta-feira, o delicado longa-metragem dirigido por Tim Hill (de “Alvin e os Esquilos”) chega ao Brasil, com a promessa de dar uma movimentada nas salas, sem incorrer em aglomeração. Lançado em solo estadunidense no dia 9 de outubro, essa comédia infantojuvenil, traduzida por aqui como “Em Guerra Com Vovô”, permaneceu meses a fio em circuito, sem arredar o pé dos cinemas: entrava estreia, sai estreia, e ela ficava lá, configurando-se como um fenômeno que os analistas do audiovisual classificam como sleeper. A tradução aqui, “dorminhoco”, disfarça o sentido da expressão: filmes que duram, duram, duram em cartaz e devagar, beeem devagarinho, fazem uma bolada. Sua receita nos Estados Unidos (US$ 21 milhões) foi bem polpuda diante da atual escassez de plateias por lá, sob ecos da pandemia. Septuagenário, o astro de “Touro Indomável” (1980) brinca de fazer graça no papel de um aposentado obrigado a morar com sua família, dividindo o quarto com um neto que detesta cabeças grisalhas. É uma trama leve, distante dos enredos sociológicos estrelados por De Niro no passado, como “Taxi Driver” (1976) e “Os Bons Companheiros” (1990), mas que serviu como um analgésico na dança das cadeiras do mercado cinematográfico neste momento – e comprovou o quanto o ator pode, ainda, ser um chamariz de plateias. Em telas nacionais, Hélio Ribeiro dubla De Niro com brilhantismo.

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