Vitória de Isabelle Huppert tornaria a festa do Globo de Ouro mágica

Vitória de Isabelle Huppert tornaria a festa do Globo de Ouro mágica

Rodrigo Fonseca

08 Janeiro 2017 | 23h21

“Elle”: duas indicações ao Globo de Ouro

RODRIGO FONSECA
Livre da nefasta presença de Ricky Gervais, substituído por um Jimmy Fallon com fome de acertar, vide seu divertido número musical de abertura, a festa do Globo de Ouro 2017 pode entrar para a História pela correção de incongruências raciais (com a vitória merecida de grandes atores negros, como Viola Davis), pelo reconhecimento de pequeníssimas produções intimistas (Manchestes à Beira-Mar, Moonlight), mas, em especial, pela consagração em âmbito hollywoodiano de Isabelle Huppert. O evento começou com a inusitada (e lastimável) entrega da láurea de melhor ator coadjuvante para Aaron Taylor-Johnson para Animais Noturnos, mas o assunto aqui é sobre a moça que aprendemos a amar em cults como A Professora de Piano (2001). Em seus comentários que antecedem a cobertura da TNT da cerimônia de entrega do prêmio da Hollywood Foreign Press Association (HFPA), o crítico e enciclopédia viva do Oscar Rubens Ewald Filho foi preciso ao dizer que Isabelle é hoje a maior atriz viva do cinema. E não é só de de sua França de origem. Ela concorre por seu desempenho assustador (em múltiplos níveis) em Elle, de Paul Verhoeven, que vendeu quase meio milhão de ingressos em solo francês em menos de um mês. O longa-metragem do mestre holandês – que presidirá o júri do 67º Festival de Berlim deste ano, de 9 a 19 de fevereiro – também disputa na categoria de melhor filme estrangeiro.

“Eu procuro fazer filmes que desafiem o padrão com o quem eu entendo o modo de funcionamento do ser humano, buscando papéis que me exijam descobertas”, disse Isabelle em entrevista ao P de Pop em Cannes.

De uma abordagem explosiva sobre a saúde existencial de uma mulher, provocativa para estes tempos marcados por fortes pleitos feministas, Elle acompanha o quanto a empresária da indústria de games Michèle Leblanc (Isabelle) se aprofunda em seu lado mais sombrio após sofrer um abuso sexual. A invasão de seu lar por um suposto ladrão, que a violenta, parece algo superado por ela, até que ela começa a se armar de cutelos e aparelho de choque, sem que isso altere seu dia a dia com os funcionários, o filho e o amante. Se Isabelle ganhar, será não apenas um reconhecimento de anos de serviços prestados à telona como a consagração de um estilo de atuar pautado pelo risco.