Vince Vaughn, talento GG na ‘Sessão da Tarde’

Vince Vaughn, talento GG na ‘Sessão da Tarde’

Rodrigo Fonseca

31 de março de 2021 | 09h55

Vince Vaughn em “O Dilema”, de Ron Howard

RODRIGO FONSECA
Esnobado pelo público americano à época de sua estreia, quando faturou US$ 69 milhões pelo mundo afora, sem ter direito a circuito no Brasil, “O Dilema” (“The Dilemma”, 2011), atração da “Sessão da Tarde” nesta quarta-feira, prévia à Sexta-feira da Paixão, confirma o quanto seu protagonista, Vince Vaughn é grande… literal e profissionalmente. Ao largo de seu 1 metro e 98 cm de altura, ele é GG no talento, esbanjando risos em sua dobradinha com Winona Ryder em uma comédia nas raias do vaudeville sobre infidelidade, que a Globo vai exibir às 15h. A direção é de Ron Howard, o que já é um baita chamariz. Na trama, Ronny (Vaughn, dublado por aqui com toda a magnificência de Alexandre Moreno) tem uma relação fraternal com seu melhor amigo, Nick (Kevin James), e entra em parafuso ao saber que a mulher dele, Geneva (Winona, dublada por Miriam Ficher), está traindo seu camarada. A partir daí, ele vai se roer de culpa com a situação. Ninguém deu muita bola pra esse longa em seu lançamento, apesar de Vaughn estar vivendo um apogeu profissional à época de sua estreia. Em 2005, ele e Owen Wilson fizeram “Penetras Bons de Bico” (“Wedding Crashers”), que foi um enorme sucesso e fez do altão um ímã de bilheteria. “Separados Pelo Casamento” (2006), filmaço de Peyton Reed, foi outro acerto dele, seguido por “Surpresas do Amor” (2008) e “Encontro de Casais” (2009). Em paralelo à sua temporada de bonança pela comédia, VV virou um produtor de respeito e trabalhou em produções dramáticas e violentas, como “Na Natureza Selvagem” (2007), a segunda temporada da série “True Detective” e o memorável “Confronto no Pavilhão 99” (2017), de S. Craig Zahler. Com esse provocativo cineasta, ele fez ainda “Justiça Brutal”, lançado no Festival de Veneza de 2018, que acaba de chegar à Amazon Prime, tendo Mel Gibson como seu parceiro de cena. O maior sucesso recente de Vaughn foi “Freaky: No Corpo de um Assassino”, produção de US$ 6 milhões que virou um dos fenômenos populares da bilheteria americana no auge da pandemia. Faturou US$ 15 milhões mesmo com uma restrição de circuito, fazendo jus à vocação para filmes de terror de tempos de crise financeira. Trata-se de uma mescla de slasher movie, comédia e filme teen, apoiada no domínio (absurdo) que seu realizador, o californiano Christopher Landon, tem das cartilhas do horror, vide a franquia “A Morte Te Dá Parabéns” (2017-19). Filho de Michael Landon (1936-1991), o Liitle Joe de “Bonanza”, ele virou um ímã de bilheterias fartas em sua representação de personagens ligado a algum grau de orfandade. E há sempre um debate contra a homofobia em seus longas-metragens, conectados à reflexão de sua orientação homoafetiva. No filme que escreveu em parceria com Michael Kennedy, o cineasta conta com uma jovem atriz de carisma robusto, Kathryn Newton (a Abigail de “Big Little Lies”), no papel de uma estudante às voltas com um psicopata. Mas seu maior trunfo – fora sua cuidadosa relação com o colorido, na fotografia – é o talento de Vaughn no papel de um Jason de botequim: Butcher, traduzido aqui como O Açougueiro de Blissfiled. Vale conferir “O Dilema” nesta tarde para entender o quão potente o grandalhão é. Este ano ele será visto em “Queenpins”, hoje em finalização.

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