Vin Diesel é o motor de arranque do Shell Open Air

Vin Diesel é o motor de arranque do Shell Open Air

Rodrigo Fonseca

06 de junho de 2017 | 10h13

“Velozes e Furiosos 8”: Vin Diesel estrela a superprodução de US$ 250 milhões cuja bilheteria ultrapassa a cifra de US$ 1,2 bilhão mundo adentro

RODRIGO FONSECA
Cantando pneu mundo adentro, queimando o gás de Vin Diesel para comemorar as cifras de US$ 1,2 bilhão acumulada de abril para cá, a oitava parte da franquia Velozes e Furiosos, batizada lá fora como The Fate of the Furious, vai abrir a temporada 2017 da maior tela a céu aberto da América Latina, nesta quarta: o Shell Open Air. Com sessão às 20h, na Marina da Glória, a superprodução de US$ 250 milhões inaugura uma programação curtida no azeite do pop, que vai de La La Land (dia 9) a Footloose com Kevin Bacon (23 de junho), com direito ao rasga coração nacional Elis (dia 21). Tem tudo aqui: http://rj.openairbrasil.com.br/ 

Mas o que dizer da (feliz) escolha de The Fate of the Furious como abre-alas?
Subproduto não assumido de Caçadores de Emoção (1991), a motorizada série de longas-metragens Velozes & Furiosos viveu altos e baixos estéticos desde que saiu da garagem, em 2001, alternando equívocos monumentais (as partes 3 e 5), capítulos chochos (o 2 e o 7) e pérolas (caso dos tomos 4 e 6), sem jamais esmorecer em termos de arrecadação. Somadas, as sete aventuras anteriores de Dominic Toretto – ladrão de carros, ás do volante e dublê de agente secreto vivido (cada vez melhor) por Vin Diesel – tiveram uma receita estimada em US$ 3,8 bilhões, coisa que muito Harry Potter ou herói Marvel sua o uniforme para fazer. Nem a morte do coprotagonista Paul Walker, vítima de um desastre rodoviário em 2013, fez descarrilhar a mais rentável grife do cinema de ação destes tempos no qual a medievalização de costumes resultante do politicamente correto fragilizou o gênero. Entra ano, sai ano, a série volta azeitada, alcançando seu ápice nesta novíssima parte, sob uma direção inspirada de uma das maiores promessas (comerciais e artísticas) entre os cineastas negros revelados na década de 1990: F(elix) Gary Gray.

Revelado com o incorretíssimo Sexta-Feira em Apuros (1995) e promovido ao escalão dos nomes em quem Hollywood pode apostar de olhos fechados após o sucesso de O Negociador (1998), Gray é especialista em subverter padrões éticos, investindo em heróis nas margens do delito. São dele as frenéticas tomadas de perseguição a Diesel e as sequências de luta um vigor plástico que não se via desde os últimos bons filmes de Steven Seagal (tipo A Força em Alerta). E tem Jason Statham, carisma em pessoa, a distribuir bordoadas.

F(elix) Gary Gray dirige eclético elenco

Muita adrenalina banha uma trama pouco verossímil, divertida e descaradamente mentirosa, na qual Toretto é obrigado a trair seus pares mais fiéis – a namorada Letty, vivida por Michelle Rodriguez; o boquirroto Roman, encarnado por Tyrese Gibson com humor a mil; e o braço mais musculoso do FBI, Hobbs, papel dado a Dwayne “The Rock” Johnson. A traição se deve a uma armação da cyberterrorista Cipher, vivida por uma caricata Charlize Theron, com caras, bocas e olhares vítreos, que não chega a prejudicar a ignição do enredo, que vai de Cuba (numa afrodisíaca sequência de abertura) à Rússia, passando por Berlim e Nova York, com direito a um submarino de guerra e uma ponta de Helen Mirren sobre a qual pouco se deve falar.

 

 

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