Versão brasileira: Guilherme Briggs

Versão brasileira: Guilherme Briggs

Rodrigo Fonseca

08 de julho de 2019 | 20h24

Rodrigo Fonseca
Parecia uma micareta a palestra de Guilherme Briggs no Anime Friends, o maior evento nacional de arte audiovisual japonesa, realizado no Riocentro, no RJ, no último fim de semana: a analogia com o folguedo carnavalesco vem da alegria e do inchaço de gente que marcou o colóquio de um dos maiores dubladores do Brasil na feira de animação japonesa. Se o nome de Briggs não soar familiar basta conferir “Toy Story”, sobretudo o brilhante nº 4 da franquia, hoje em cartaz em todo o mundo: ele é a voz de Buzz Lightyear. E sua “atuação” como Rei Julien, o lêmure afetado de “Madagascar”, é um marco do cinema. Na ativa desde 1991, ele criou um dos mais invejáveis currículos da dublagem nacional em 28 anos de profissão, com várias passagens pela japanimation, o foco da feira realizada no Rio de 5 a 7 de julho. Tinha uma multidão por lá no domingo, conferindo uma versão teatralizada do seriado “Ultraman”.
Confira a seguir o que Briggs pensa sobre o ofício no qual é um dínamo.

O que o anime representa de maior desafio para os dubladores? Que padrão de atuação o filão exige?
Guilherme Briggs:
Os animes são falados em japonês e os dubladores não têm uma referência, pois não entendem, em sua maioria, esse idioma. Outro desafio também é a interpretação japonesa, que é diferente da brasileira. Cada povo tem uma musicalidade, uma melodia específica, uma forma de expressar suas emoções e isso precisa ser trabalhado com extremo cuidado, precisamos sempre pensar na versão que iremos fazer, para que não fique artificial ou mesmo exagerado. Se você fizer fiel ao original, corre o risco de ficar muito esquisito e até engraçado na versão brasileira.

Que animes marcaram a tua carreira e que animês mais marcaram a tua infância?
Guilherme Briggs:
Os animes que marcaram minha carreira foram o “Pokémon” (Mewtwo), “Cowboy Bebop” (o longa animado, dublando o Spike Spiegel), “Cavaleiros do Zodíaco: Saga de Hades” (Radamanthys, a primeira voz)  e mais recentemente o “The Ancient Magus Bride” (Elias). Os animes de minha infância e que sempre relembro com carinho são “Don Drácula” e “Patrulha Estelar”.

Que filmes vc tem pela frente pra dublar este ano? Quantos anos de dublagem profissional?  Guilherme Briggs: Tenho alguns novos do Dwayne Johnson, o The Rock, além de outros filmes, novas séries  (e novas temporadas) live action e animadas – que não posso revelar ainda por conta do sigilo da profissão. Mas vem muita coisa legal por aí, com certeza.

Que animes você está dublando agora?
Guilherme Briggs: Além do “The Ancient Magus Bride” (Elias), dublei recentemente “Re:Zero” (Betelgeuse), “Black Clover” (Rei Mago Julien) sob a direção do querido Leo Santhos no estúdio Som de Vera Cruz. Apesar de não ser anime e sim um filme inspirado em “Pokémon”, eu dublei o Mewtwo novamente em “Detetive Pikachu”.

p.s.: Benito Di Paula vai desfiar seus “Retalhos de cetim” no dia 12 de julho, às 21h, no Village Mall.

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