Versão brasileira: cidadania – Dublagem x COVID

Versão brasileira: cidadania – Dublagem x COVID

Rodrigo Fonseca

26 de abril de 2020 | 14h50

Mauro Horta dubla Chris Hemsworth em “Resgate”

Rodrigo Fonseca
Baseado na HQ “Ciudad” e estruturado a partir de um domínio pleno do plano-sequência, “Resgate” (“Extraction”) chegou ao streaming com um trabalho impecável de Mauro Horta fazendo a versão brasileira de Chris Hemsworth em seu devir Rambo. Voz habitual de Thor no país, Horta alcança ali um momento de excelência em sua interpretação, realçando a dor do mercenário Tyler Rake, em sua cruzada para salvar um garoto da morte. O bom desempenho dele coincide com uma série de grandes trabalhos de “atrizes e atores da voz” em nossas TV e plataformas digitais, como é o caso da brilhante performance de Raquel Marinho dublando Vera Farmiga em “O Passageiro” (“The Commuter”). Essa é a atração da “Tela Quente” nesta segunda, com Armando Tiraboschi dando seu show habitual, agora cedendo o gogó a Liam Neeson. Quem der um pulinho na HBO, vai tomar um choque com a majestosa adaptação de Christiano Torreão para o falar introspectivo de Leonardo DiCaprio em “Era Uma Vez… em Hollywood”, no qual Flávia Saddy dubla Margot Robbie. São trabalhos que servem de bons… aliás, ótimos… exemplos, do quão essencial é a dublagem no Brasil, sobretudo nestes tempos de #FiqueEmCasa, por conta da 40ena. Em função da pandemia do coronavírus, uma iniciativa exemplar surgiu no site https://www.dublagembrasileira.org/, a fim de apoiar e dar um amparo a uma trupe de gênias e gênios da atuação, que encara dificuldades (financeiras sobretudo) em dias de desafios para todas as profissões ligadas à arte. Mas a dublagem ainda enfrenta um mal extra: o preconceito daqueles que subestimam a essencialidade de um ofício responsável por alfabetizar audiovisualmente nosso país… e há décadas. Como não lembrar do Sr. Miyagi, por exemplo, sem pensar no falar manso de Seu Magalhães Graça dizendo “Limpe o assoalho, Daniel San”? Como não pensar em Mônica Rossi sempre que Demi Moore se (e nos) emociona em “Ghost – Do Outro Lado da Vida”? E como Woody Allen fica mais engraçado ao receber abecedário manhoso de Élcio Romar, o Paulo Autran do setor. No site Dublagem Brasileira, que ainda está em construção, saiu um texto que o P de Pop reproduz aqui, em respeito, num aplauso:
“Somos um grupo de atores dubladores e profissionais do audiovisual que atuam no mercado da dublagem. Com a pandemia do covid 19 nosso mercado de trabalho se viu numa situação difícil: a dublagem deixou de ser uma opção de renda para atores e atrizes do grupo de risco que se dedicavam exclusivamente a este mercado. Grande parte dos profissionais está sem renda e sem saber quando seria seguro voltar às atividades. São idosos, diabéticos, pessoas com diversos tipos de doenças crônicas. E muitos não possuem possibilidade de gravar de casa. Por isso criamos este espaço para encarar e superar este desafio. E contamos com você para promover ações que viabilizem ajudar nossos colegas deste grupo de risco”. Dá um pulinho ali na web pra checar o pleito dessa turma, que ainda está subindo vídeos e postando textos com uma dedicação digna de reverência. É um gesto de dignidade pra todos nós, nascendo no https://www.dublagembrasileira.org/.

Falando em boa dublagem, esta noite temos Paulo Vignolo dando um banho de talento ao ceder o vozeirão a Matthew Fox em “A Sombra do Inimigo”, às 23h20, no “Domingo Maior”, com Márcio Simões cuidando da versão brasileira de Tyler Perry. Vale uma olhada atenta. Ainda neste domingo à noite às 20h30, a Band revê um filmaço com Brad Pitt que foi defenestrado em sua passagem pelo circuito: “Encontro Marcado” (“Meet Joe Black”), no qual o ator encarna a Morte. Marco Antônio Costa dubla Pitt… aliás, o faz como ninguém.

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