Verhoeven, bendito fruto na TV, com ‘Bel-Ami’

Verhoeven, bendito fruto na TV, com ‘Bel-Ami’

Rodrigo Fonseca

12 de maio de 2020 | 15h47

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
Com o adiamento do 73º Festival de Cannes, que começaria nesta terça-feira, o holandês Paul Verhoeven jogou para 2021 a estreia de seu “Benedetta”, saga de uma freira dotada com poderes divinos, mas assolada por um desejo homossexual que gera escândalo na Igreja. Mas o vácuo deixado pela estreia retardada de seu esperado longa-metragem não vai limitar os planos profissionais do aclamado diretor de “Instinto Selvagem” (1992), escalado agora para dirigir uma série de TV baseada no livro “Bel-Ami”. Verhoeven será o showrunner do projeto e vai pilotar a direção de cada um dos oito episódios de 52 minutos baseados na prosa de Guy de Maupassant (1850-1893). O projeto para a TV, produzido por Saïd Ben Saïd será falado em Francês. A trama, fiel ao texto publicado originalmente em 1885, vai abordar o périplo do sedutor George Duroy para vencer na vida, na Paris do século XIX, passando de militar a jornalista, em uma trajetória de alpinismo social. Em 2017, o realizador conquistou o Globo de Ouro de melhor filme de língua estrangeira com “Elle”, um controverso cult. Revelação do Novo Cinema Holandês dos anos 1970, Verhoeven foi importado por Hollywood na década de 1980, quando rodou sucessos como “RoboCop: O Policial do Futuro” (1987) e “O Vingador do Futuro” (1990). Mas sua carreira na América degringolou com o fracasso do drama erótico “Showgirls” (1995).
“A Realidade se constitui como uma forma de dramaturgia capaz de comportar medo, suspense, humor e até fantasia, de uma só vez, numa mistura concreta, cínica e, às vezes, prazerosa, muito parecida com aquilo que eu perseguia em meus filmes feitos em Hollywood”, disse o cineasta ao P de Pop em Cannes.

Virginie Efira em “Benedetta”, inédito de Paul Verhoeven

Há três anos, Verhoeven presidiu o júri do Festival de Berlim, que definiu o cineasta (hoje com 81 anos) como um “artista multifacetado que trabalhou numa variedade de gêneros em Hollywood e na Europa .“Sou um realizador da observação, à cata de incômodo”, disse o realizador, que, na festa do Globo de Ouro, atribuiu a excelência de “Elle” à sua estrela, Isabelle Huppert, indicada ao Oscar pelo longa. “Ela é uma atriz que desbrava convenções e que topa se arriscar”.

Nos anos 1960 e 70, Verhoeven dirigiu séries e telefilmes na Europa. Dirigiu TV nos EUA também, em 1986.

Definido injustamente, por anos a fio, como um dos piores filmes da História, “Showgirls”, um marco do erotismo nas telas, lançado (e achincalhado) há 25 anos, ganhou, em 2019, uma revisão crítica capaz de redimi-lo de sua má reputação: “You don’t Nomi”, documentário de Jefferey McHale. O .doc é uma investigação sobre o legado maldito do repudiado longa-Verhoeven e uma reflexão sobre como seu fracasso reflete a hipocrisia moral em relação ao sexo. Cerca de uma década após seui lançamento, a produção estrelada por Elizabeth Berkley, Kyle MacLachlan e Gina Gershon passou a angariar fãs e ter suas peculiaridades narrativas cultuadas. Elizabeth estrela este drama sexy na pele de Nomi, uma aspirante a dançarina que vira estrela de um show calcado em nudez.

p.s.: Nesta quinta-feira, às 18h, no instagram da Globo Filmes, Lázaro Ramos vai conversar com os internautas sobre “Medida Provisória”, filme que marca sua estreia na direção de longas. Lazinho vai bater papo com atrizes e atores do projeto, como Taís Araújo. A trama, filmada em 2019, é baseada no sucesso teatral brasileiro “Namíbia, Não”, de Aldri Anunciação, que estreou originalmente em 2011, em Salvador. A ficção se passa num Brasil do futuro em que uma medida de reparação social afeta diretamente a vida de uma família, são eles o jovem casal formado pela médica Capitú (Taís Araújo) e pelo advogado Antonio (Alfred Enoch) e o primo, o expansivo jornalista André (Seu Jorge), que, de favor, mora na casa da dupla. Certo dia uma medida de reparação financeira pelos tempos de escravidão no Brasil é proposta, e é respondida com outra. Com esta novidade, o casal acaba separado sem saber se poderão se reencontrar.

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