Veneza 78: O que ver depois do novo Almodóvar

Veneza 78: O que ver depois do novo Almodóvar

Rodrigo Fonseca

30 de agosto de 2021 | 15h46

Rodrigo Fonseca
Aposta quente para o Oscar 2022, “Madres Paralelas”, o novo melodrama do espanhol Pedro Almodóvar, vai abrir o 78º Festival de Veneza, nesta quarta-feira, tentando abocanhar o Leão de Ouro, prêmio que o realizador só disputou uma vez, em 1988, com “Mulheres À Beira De Um Ataque De Nervos”, celebrizando-se mundialmente. Em 2011, quando exibiu “A Pele Que Habito” na briga pela Palma de Ouro, Almodóvar falou desse seu novo filme pela primeira vez, definindo-o como um “Dom Quixote da maternidade”. Na trama, duas mulheres de idades e classes sociais diferentes dão à luz no mesmo dia. Janis (Penélope) está radiante com a chegada de seu bebê. Mas Ama (Milena) não sente a mesma alegria, por ser uma adolescente que engravidou sem estar preparada. As duas vão trocar experiências e firmar uma amizade que, anos depois, há de detonar um processo doloroso. Grávido de almodramas já na largada, Veneza aposta em realizadoras (Jane Campion, Bárbara Paz, Maggie Gyllenhaal) e realizadores (Paul Schrader, Michel Franco, Paolo Sorrentino) de peso. Mas há grandes longas que eram esperados pelo Lido, mas não ficaram prontos a tempo. Nem para San Sebastián, cujo 69º festival rola de 17 a 25 de setembro, os títulos a seguir sairão do forno, mas há que se estar atento a eles:

Juliette Binoche e Vincent Lindon em “Feu”

“FEU”, DE CLAIRE DENIS: A diretora de “Bastardos” (2013) põe Juliette Binoche num dilema amoroso entre um amor maduro do passado e um querer jovial do presente.

“THE OCCUPIED CITY”, DE STEVE MCQUEEN: Após o sucesso de “12 Anos de Escravidão” (2013) e da série “Small Axe”, o diretor britânico foca suas reflexões sobre exclusão racial na II Guerra Mundial, a partir de uma pesquisa de sua mulher, a escritora Bianca Stigter, sobre a ocupação dos nazistas na Holanda.

“HOW DO YOU LIVE”, DE HAYAO MIYAZAKI: Cinéfilos estão sempre atentoa às boas novas do Studio Ghibli, cujo patrono parece ter, enfim, finalizado o seu novo desenho animado sobre o processo de amadurecimento de um rapazinho e a sua convivência com um tio e com os amigos num Japão em transformação, mas ainda aberto ao lirismo e à fantasia. “Kimitachi wa dô ikiru ka” é o título original.

“PETITE FLEUR”, DE SANTIAGO MITRE: No novo filme do realizador de “Paulina”, a sensação da Semana da Crítica de Cannes em 2015, Daniel Hendler, vive um homem obcecado com a ideia de que o seu vizinho é um inimigo, optando por assassiná-lo. O problema é que este renasce a cada dia, misteriosamente.

“A VIAGEM DE PEDRO”, DE LAÍS BODANZKY: A aclamada realizadora de “Como Nossos Pais” (2017) retorna à realização numa trama protagonizada por Cauã Reymond, que se passa numa viagem de barco, da volta do D. Pedro I para a Europa. Ele foi praticamente expulso do Brasil, durante uma grande crise política e pessoal. É nisto que a cineasta mergulha nesse universo interior do monarca. É, segundo disse a realizadora site ao C7nema, “um filme de personagens, que fala muito mais do Pedro do que exatamente do D. Pedro I”.

“SOGGY BOTTOM”, DE PAUL THOMAS ANDERSON: Depois de colher prémios pelo mundo todo com “Linha Fantasma” (2017), o aclamado realizador americano pode voltar a Cannes com esta reconstituição da vida juvenil dos EUA dos anos 1970 a partir dos dilemas de um jovem ator. Bradley Cooper é o chamariz do elenco.

“THE WAY OF THE WIND”, DE TERENCE MALICK: Apoiado num elenco monumental (Matthias Schoenaerts, Mathieu Kassovitz, Aidan Turner, Mark Rylance, Ben Kingsley), o realizador de “A Árvore da Vida” (Palma de Ouro de 2011) investiga a vida de Cristo por ângulos inusitados.

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