Vencedor de Brasília, ‘Arábia’ leva as Gerais a San Sebastián

Vencedor de Brasília, ‘Arábia’ leva as Gerais a San Sebastián

Rodrigo Fonseca

25 de setembro de 2017 | 03h53

“Arábia”, Candango de Melhor Filme de Brasília, em 2017, será exibido em San Sebastián nesta quarta, em concurso

Rodrigo Fonseca
Deu Arábia na cabeça do Festival de Brasília: melhor filme, montagem, trilha sonora, melhor ator (Aristides de Sousa) e prêmio da crítica. Quarta-feira agora, dia 27, é dia de a cartografia mineira de afetos e desatenções, desenhada pelos cineastas Affonso Uchoa João Dumans, vir tentar a sorte aqui em San Sebastián: e a aposta em torno deles é alta. Elogios conquistados em Roterdã, no início do ano, acolchoaram a cama na qual o filme agora se prepara para deitar aqui no norte da Espanha, em concurso na seção Horizontes Latinos. É a mesma vitrine que consagrou Lobo Atrás da Porta (2013) e Era o Hotel Cambridge (2016). Na trama, o jovem André (Murilo Caliari) encontra o caderno de memórias de Cristiano (Aristides), metalúrgico hospitalizado. Por meio dele, o menino conhece sua trajetória, seus ensejos de amor, suas relações de trabalho e suas travessias por diversas paisagens das Minas Gerais.

Lista de ganhadores do Troféu Candango – Longa-metragem

Melhor Filme: Arábia, dirigido por Affonso Uchoa e João Dumans

Melhor Direção: Adirley Queirós por Era uma vez Brasília

Melhor Ator: Aristides de Sousa por Arábia

Melhor Atriz: Valdinéia Soriano por Café com Canela

Melhor Ator Coadjuvante: Alexandre Sena por Nó do Diabo

Melhor Atriz Coadjuvante: Jai Baptista por Vazante

Melhor Roteiro: Ary Rosa por Café com canela

Melhor Fotografia: Joana Pimenta por Era uma vez Brasília

Melhor Direção de Arte: Valdy Lopes JN por Vazante.

Melhor Trilha Sonora: Francisco Cesar e Cristopher Mack por Arábia

Melhor Som: Guile Martins, Daniel Turini e Fernando Henna por Era uma vez Brasília

Melhor Montagem: Luiz Pretti e Rodrigo Lima por Arábia

Prêmio Especial do Júri: Melhor Ator Social para Emelyn Fischer, por Música para quando as Luzes se apagam

Júri Popular: Café com canela, dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio

San Sebastián segue até o dia 30, sendo que, dos filmes em competição, o longa mais aclamado até agora foi o argentino Alanis, de Anahí Berneri, sobre a rotina de uma garota de programa. Mas há uma torcida local em torno de um filme basco, o doído Handia, sobre um camponês com gigantismo na Espanha do século XIX. Domingo, a cidade viu um exercício de linguagem finíssimo de CEP francês: Jusqu’à La Garde, cuja secura dói na alma.

“Jusqu’à La Garde”: o urso Ménochet

Lembram-se do Senhor LaPadite, o protetor de judeus (e criador de vacas) do início de Bastardos Inglórios (2009)? O nome daquele ótimo ator é Denis Ménochet e ele acaba de jogar o festival espanhol contra a parede da violência conjugal nesse longa egresso da França. Seu realizador é Xavier Legrand, que levou o prêmio de melhor direção em Veneza por este olhar sobre a atomização da vida a dois. É a radiografia de uma guarda (quase) compartilhada após uma separação. Ostentando o físico de um urso – forte, gordo, peludo, bruto -, Ménochet é um brutamontes que não se conforma com o fim de seu casamento. Ele vê no ódio o meio de ter o filho de volta. Mas não será bem assim. Haja aridez narrativa….

 

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