Varilux à luz de Ozon

Varilux à luz de Ozon

Rodrigo Fonseca

12 de novembro de 2020 | 10h51

François Ozon com o elenco de “Été 85”

Rodrigo Fonseca
Perfumado a tragédias, a descobertas afetivas e, principalmente, a desejo, numa orientação homoafetiva, “Été 85” – prestigiado por 300 mil pagantes em sua carreira comercial por Paris, Marselha, Lyon e arredores – vai mobilizar espectadores brasileiros de 19 de novembro a 3 de dezembro, como uma das atrações principais do Festival Varilux, apoiado na grife de seu diretor, François Ozon. Chancelado pelo selo de Cannes e aplaudido com fervor em San Sebastián, esta crônica geracional do cineasta responsável por sucessos como “8 Mulheres” (2002) e “O Amante Duplo” (2018) chega por aqui com a tradução literal de seu título: “Verão de 85”. “Gosto muito de filmes de praia e sempre quis aproveitar esse ambiente”, disse Ozon ao Estadão, na Espanha. “A delicadeza de filmar o corpo das atrizes e atores é o que instiga”.
Classifica-se o longa como história de autodescoberta, num ritmo que pode ir da love story ao thriller. Pontuada de romantismo e embalada a The Cure e Rod Stewart, em sua reconstituição da década de 1980, “Verão de 85” segue os passos do jovem e rebelde Alexis (Félix Lefebre) que passa seus 16 anos em uma praia da Normandia, assolado por explosões hormonais. Durante um passeio de barco, ele é salvo por David (Benjamin Voisin), um jovem sedutor que vai mexer com os afetos e com os impulsos sexuais do rapaz. Mas David parece interessado em meninas, o que vai tirar toda a estabilidade de Alexis, conduzindo um enredo sobre ritos de passagem ao terreno inflamável do ciúme e da incerteza.
“Toda época, olhada com distanciamento, parece uma pintura. E eu trabalho o visual dessa representação de praia preocupado em retomar a granulação”, disse Ozon ao P de Pop em San Sebastián. “Existe um empenho neste filme em buscar uma dimensão universal do amor”.

Este Varilux vai promover uma celebração dos 60 anos de “Acossado” (1960). Vai ter ainda “A Boa Esposa”, de Martin Provost; “A Garota da Pulseira”, de Stéphane Demoustier; “Apagar o Histórico”, sob direção de Gustave Kervern e Benoît Delépin; “Belle Epoque”, de Nicolas Bedos; “DNA”, de Maïwenn; “Donas da Bola”, de Mohamed Hamidi; “Gagarine”, de Fanny Liatard, Jérémy Trouilh; “Meu Primo”, dirigido por Jan Kounen; “Minhas férias com Patrick”, de Caroline Vignal; “Notre Dame”, de Valérie Donzelli ; “O Sal das Lágrimas”, de Philippe Garrel; “Persona Non Grata”, direção de Roschdy Zem; “Slalom”, de Charlène Favier; “Sou Francês e Preto”, de de Jean-Pascal Zadi e John Wax; “A famosa invasão dos ursos na Sicília”, de Lorenzo Mattotti; e “O Capital no século XXI”, documentário dirigido por Justin Pemberton e Thomas Piketty.

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