Variações, o Freddie Mercury português, ganha sua ‘Bohemian Rhapsody’

Variações, o Freddie Mercury português, ganha sua ‘Bohemian Rhapsody’

Rodrigo Fonseca

30 de abril de 2019 | 13h50

Sérgio Praia protagoniza no cinema a história do cantor e compositor português António Variações (1944-1984), furacão transgressor na cena pop da música europeia

Rodrigo Fonseca
Diante dos US$ 902 milhões acumulados por “Bohermian Rhapsody” em sua trajetória pelas telas, a indústria do cinema hoje saliva por filmes que abordem a história real de músicos pop cuja vida foi cheia de som e de fúria, como é o caso de “Rocketman”, sobre Elton John, ou do esperado “Variações”, de Portugal. Dirigido por João Maia, que escreveu o roteiro com Karen Sztajnberg (de “Casa Grande”), o longa-metragem, previsto para estrear em 22 de agosto, é o biopic sobre o Freddie Mercury dos portugueses, o cantor António Variações (1944-1984), cuja carreira meteórica hoje é objeto de culto na Europa. Ele era um cabeleireiro, dono de salão unissex e de barbearia, que virou ícone na cena pop a partir de 1981, quando se apresentou no programa “Passeio dos alegres”, de Júlio Isidro. Amália Rodrigues era sua diva.

Na crítica lusitana, a expectativa pelo projeto é alta:
“Não é bem rock o que ele fazia: diríamos que Variações foi pop”, explica o crítico luso Hugo Gomes, do site “C7nema”. “Para além de ter sido um icone LGBTQ de um país que ainda lidava com o conservadorismo deixado pelo Estado Novo, António Variações foi um artista acima do seu tempo no panorama português, cruzando a tradição musical com a sofisticação pop e queer. Os seus hits são hoje hinos que atravessam gerações e mentalidades  Em termos musicais, Variações fica ligeiramente abaixo de Amália”.

Nascido António Joaquim Rodrigues Ribeiro, Variações adotava um estilo queer transgressor e corajoso, parecido com o do vocalista do Queen, assumindo pra si um lema: “Nunca me preocupei com a moda. Preocupo-me, isso sim, com a estética”. Seu primeiro álbum foi editado em 1983 e recebeu o título de “Anjo da Guarda”. Incluía canções como “É pra amanhã” e “O corpo é que paga”.  No ano seguinte, grava o que viria a ser seu último álbum, “Dar e receber”, que incluía a memorável Canção de engate”. No filme de João Maia, cujo trailer é vibrante, Sérgio Praia interpreta o músico. Um dos mais criativos atores do Brasil na atualidade, Augusto Madeira (de “Bingo”) está no elenco no papel do jornalista Luís Vitta (1945-2015), paulista radicado em solo português, onde escreveu sobre música para a “Blitz” e para o programa “Meia de Rock”. Maria José Pascoal vive Amália no filme, que merecia um destaque nos festivais brasileiros.

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