Valérie Lemercier arrebata o Varilux

Valérie Lemercier arrebata o Varilux

Rodrigo Fonseca

12 Junho 2018 | 14h07

Boa de fazer rir, a atriz Valérie Lemercier dirige a comédia “50 são os novos 30” com uma elegância singular, indo de Amália Rodrigues a Julio Iglesias

Rodrigo Fonseca
Pronto para um remake nacional nas mãos de um produtor brasileiro esperto, 50 São os Novos 30 é mais um acerto do Varilux 2018 – êta festivalzinho bom, o deste ano – apoiado no talento de Valérie Lemercier como atriz e diretora. Vista por cerca de 720 mil pagantes, esta produção se alinha com a tradição das comédias românticas, antenada com um dos fenômenos culturais da vez – o regresso de filhões 40ões e 50ões para a casa dos pais. E tem uma trilha sonora que vai de Amália Rodrigues a Julio Iglesia sem perder a mão na breguice. O título em francês, “Marie-Francine”, é o nome da protagonista, uma bioquímica especializada em célula-tronco que perde o emprego dias depois de ser chutada pelo marido (Denis Podalydès). Ao se mudar para o lar de sua mãe e de seu pai, ela começa uma nova vida, como vendedora de cigarros eletrônicos, e engata um flerte com um cozinheiro português, Miguel (Patrick Timsit), cuja trajetória de sucessos também foi atropelada pelos dilemas do querer. O duo de Valérie com Timsit é um charme só. E a montagem valoriza piadas e situações cômicas mais físicas. É um vaudeville nos nossos dias. E dos bons.
Ponha 50 São os Novos 30 na lista dos melhores do Varilux, ao lado de A Excêntrica Família Gaspard, O Retorno do HeróiSob Custódia e O Amante Duplo, um fenômeno popular no país.