Urso dourado da Hungria avança sobre San Sebastián

Urso dourado da Hungria avança sobre San Sebastián

Rodrigo Fonseca

23 de setembro de 2017 | 18h06

Cartaz húngaro de “On Body and Soul”, que terá sessão neste sábado no Festival de San Sebastián

Rodrigo Fonseca
É hora de San Sebastián conferir se o júri do Festival de Berlim, presidido por Paul Verhoeven, tinha ou não razão quando deu o Urso de Ouro, a honraria máxima do evento, a uma love story húngara, chamada On Body And Soul, que vai ser exibida no fim da noite deste sábado aquí no evendo espanhol. A direção é de uma cineasta de 62 anos de idade e 36 de carreira, que nunca teve a visibilidade merecida: Ildikó Enyedi. Ela antes, em 1989, foi premiada no Festival de Cannes com o troféu Câmera de Ouro, dado a estreantes, por My 20th Century, porém não viu a carreira decolar na telona, indo fazer TV. Mas foi com o romance (amargo) entre dois solitários profissionais – ela, uma taciturna e suicida fiscal de qualidade; ele, um administrador com um braço paralisado – que a realizadora decolou para o estrelato. Além do Urso, essa trama amorosa papou a láurea do Júri Ecumênico, a do júri dos leitores do jornal alemão Berliner Morgenpost e a do júri de críticos da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (a Fipresci). O que vai ser dela aquí no festival hispânico?

Se eu emocionar as pessoas pela simplicidade, vou atingir meu objetivo: ser direta e objetiva nos sentimentos mais cotidianos”, disse Ildikó ao P de Pop em Berlim.

Ildikó Enyedi com seu Urso de Berlim vai tentar a sorte no norte da Espanha (AFP)

Neste domingo, a cidade espanhola – que suou em bicas sob o sol de 30 graus deste sábado – acolhe o mestre francês Philippe Garrel e seu novíssimo filme: L’Amant d’un Jour. O festival segue até dia 30, quando o júri presidido por John Malkovich anuncia os vencedores. O mais badalado até agora, entre os concorrentes à Concha de Ouro, veio da Argentina: Alanis, um incômodo drama dirigido por Anahí Berneri, que ironizou os bons costumes de conservadores locais com seu olhar para o sexo. A trama acompanha os percalços de uma jovem, batizada em homenagem à cantora Alanis Morrissette, que faz do corpo seu instrumento de trabalho no batente da prostituição. O papel é (muito) bem defendido por Sofía Gala Castiglione.

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