Urso de Ouro de 2018 estreia no Brasil

Urso de Ouro de 2018 estreia no Brasil

Rodrigo Fonseca

18 de maio de 2021 | 11h07

RODRIGO FONSECA
Depois de ter garimpado cerca de 250 filmes cerzidos pela fina agulha da autoralidade, o Reserva Imovision, a plataforma digital fundada por Jean Thomas Bernardini, amplia seus domínios sobre a streaminguesfera ao trazer pras suas fileiras um ganhador de Urso de Ouro que ficou inédito no circuito brasileiro: “Touch Me Mor”, da artista plástica e diretora Adina Pintilie, egressa da Romênia. Ela foi “a” vencedora da Berlinale 2018. Seu filme vai se chamar “Não Me Toque”. É o mesmo título sob o qual foi projetado na Mostra de São Paulo, há três anos.
Diante de todas as galerias e museus espalhados por suas esquinas, Berlim sempre foi uma parada obrigatória para Adina Pintilie, curadora do Bucharest International Experimental Film Festival. Ela é uma estudiosa dos novos movimentos da arte contemporânea em videoinstalações e diálogos entre corpo e imagem. E foi em terras germânicas que sua carreira como realizadora mais conquistou prestígio, com “Não Me Toque”, um filme misto de fato, fábula, sessão de terapia e videoarte, até hoje inédito em circuito no Brasil. Sua estrela é Laura Benson que vive uma cineasta com dificuldades de se deixar tocar. Como Afine foi jurada na Berlinale deste ano, as buscas pelo longa na web, em streamings, só fizeram crescer, levando-a ao bunker do Reserva.
“O projeto partiu do ensejo de cartografar sensações, a fim de abrir diálogos sobre o corpo, sobre a condição humana, sobre os tabus do querer e sobre a aceitação do que somos e de como estamos em um mundo que institucionalizou a solidão e a falta de converda sobre os sentimentos. Desejo também precisa ser falado. E filmado”, disse Adina ao P de Pop na Berlinale, com o Urso dourado nas mãos, além do troféu de Melhor Longa de Estreia.
Em 2010, o curta “Oxigênio” despertou o interesse dos festivais por Adina e seu olhar focado nas experiências de linguagem entre o real e a ficção. Bem mais acostumada a pintores e escultores do que ao circo midiático da indústria do audiovisual, Adina vive uma dupla relação de amor entre o Cinema e as Artes Visuais há cerca de uma década, desde que passou a documentar manifestações artísticas em vídeos. Boa parte de seus últimos dez anos de trabalho foram gastos em “Não Me Toque”. Laura é sua personagem central: seus dilemas pessoais convidam a uma investigação sobre os modos mais variados de se obter o prazer.

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