Uma ‘love story’ pra eternidade: ‘Me Chame Pelo Seu Nome’

Uma ‘love story’ pra eternidade: ‘Me Chame Pelo Seu Nome’

Rodrigo Fonseca

19 Janeiro 2018 | 10h41

Rodrigo Fonseca

Aposta quente para o Oscar 2017, inclusive à estatueta de Melhor Filhe, Me Chame Pelo Seu Nome, drama romântico LGBT que colecionou elogios em sua passagem pelos festivais de Sundance, Berlim e San Sebastián, chega em fim ao Brasil nesta sexta: seu diretor, o italiano Luca Guadagnino, vai apresentar a primeira projeção nacional no filme, às 20h, no Cine Odeon. A exibição será a primeira gala internacional do Festival do Rio 2017, que começa nesta quinta e vai até dia 15. Com lançamento nos EUA no dia 24 de novembro, esta produção multinacional (entre Itália, França, Estados Unidos e a empresa brasileira RT Features, reconhecida pelos sucessos A Bruxa e Tim Maia) de custo estimado em 4 milhões de euros terá mais sessões na maratona cinematográfica carioca. Dia 7, às 19h, o público do Cine Roxy poderá conferir a excelência narrativa de Guadagnino, realizador siciliano conhecido por Um Sonho de Amor (2009), filmando na região de Crema.

“Filmamos em maio de 2016 na temporada mais chuvosa que Cremona já teve em anos e que poderia ter colocado todo o nosso projeto a perder, até que decidimos aproveitar a chuva natural como parte de nossa narrativa e construir, com o máximo de beleza, uma carta de amor”, disse Guadagnino ao Omelete em Berlim, onde seu filme lotou todas as exibições, assim como seu no fim de semana passado em sua passagem pelo norte da Espanha, em San Sebastián.

Baseado no romance de André Aciman, Call Me By Your Name (no original) revive o clima quente da Itália de 1983, quando o jovem músico Elio (Timothee Chalamet), põe suas convicções sexuais e afetivas em xeque ao se encantar pelo estudante americano Oliver (Armie Hammer), um orientando de seu pai. A figura paterna da trama é (bem) interpretada por Michael Stuhlbarg, de Broadwalk Empire. O roteiro do filme contou com as manhas narrativas do aclamado diretor James Ivory (de “Vestígios do Dia”).

“É bom encontrar filmes que desafiam nossas certezas e exploraram ferramentas que ainda não dominamos”, disse Hammer em Berlim.

Sayombhu Mukdeeprom, que fotografou o cultuado Tio Boonmee (Palma de Ouro de 2010), é o responsável pela love story entre Elio e Oliver.
Na Berlinale, o filme foi um furacão nas projeções populares, sempre acompanhadas pelo produtor Peter Spears. Este destaca sempre a força da presença brasileira no longa. “Temos um diretor italiano, um elenco americano, um fotógrafo da Tailândia e uma história universal: nada mais justo do que contar com a força produtiva de Rodrigo Teixeira e sua RT”, disse Spears na coletiva Berlinale. “Este filme é um somatório de saberes”.

É comovente o timming do apaixonamento entre Elio e Oliver, que transcende as convenções das representações românticas do cinema mainstream. Há uma pressão do meio, do ambiente idílico, na interação de ambos, que corre indiferente às expectativas das pessoas em volta de ambos e das patrulhas intrejectadas. Trata-se de um espetáculo de delicadezas.