Uma lista de atrações de Cannes… que devem ser melhores que os insossos zumbis de Jarmusch

Uma lista de atrações de Cannes… que devem ser melhores que os insossos zumbis de Jarmusch

Rodrigo Fonseca

14 de maio de 2019 | 17h04

“Port Authority”: amor trans

Dez apostas de Cannes para 2019, por Rodrigo Fonseca
Quarta-feira é dia de “Bacurau” na linha Pernambuco x Côte d’Azur no 72º Festival de Cannes: o filme de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça será exibido em concurso pela Palma de Ouro na noite de 15 de maio, mexendo com os brios do balneário à força de seu possante trailer. É difícil fazer uma triagem do que pode haver de melhor na competição. Mas vale uma lista com o que promete ser mais arrebatador das demais seleções.

“Canción sin nombre”, de Melina León (Peru): Baseado em fatos reais, esta trama em P&B aborda a luta de uma jovem peruana dos anos 1980 para reaver sua bebê recém-nascida com a ajuda de um jornalista. Onde: Quinzena dos Realizadores
“Port Authority”, de Danielle Lessovitz
(EUA): Martin Scorsese e Rodrigo Teixeira produzem esta história de amor sobre conflitos de gênero com foco na paixão de um jovem de NY por uma trans, o que embatuca suas certezas. Onde: Um Certain Regard
“Ceniza Negra”
, de Sofía Quirós Ubeda (Costa Rica): Uma reflexão sobre a finitude se desenha na tela a partir da saga metafísica de Selva diante da descoberta de que, após a morte, apenas trocamos de pele, preservando nossa alma em corpos de lobos ou cabras. Mas alguns viram sombras. Onde: Semana da Crítica
“Family Romance, LLC”,
de Werner Herzog (EUA): O artesão alemão da loucura volta suas lentes para as tradições do Japão, narrando a aventura de um homem que vira o valete de uma criança. Onde: Séance Spéciale
“J’ai perdu mon corps”
, de Jérémy Clapin (França): A protagonista desta animação é uma… mão. Uma mãozinha que corre pelas ruas de Paris à cata do rapaz cujo corpo ela integrava. Onde:  Semana da Crítica
“Une fille facile”
, de Rebecca Zlotowski (França): A realizadora do poderoso “Grand Central” (2013) aposta na crônica de um verão em que duas mulheres se redescobrem e se reinventam. O português Nuno Lopes integra o elenco. Onde: Quinzena dos Realizadores
“Sem seu sangue”
, de Alice Furtado (Brasil): A realizadora do belíssimo curta “Duelo antes da noite” (2010) estreia na direção de longas-metragens abordando a relação entre uma jovem introspectiva com um adolescente hemofílico – papel que pode consagrar Juan Paiva. Onde: Quinzena dos Realizadores   

“Sem seu sangue”: Brasil na Quinzena

Nesta terça, o insosso “The dead don’t die”, filme de zumbi de Jim Jarmusch, com Bill Murray e Adam Driver tirando leite de pedra no papel de policiais às voltas com um ataque de mortos-vivos, abriu (de maneira muito irregular) o bonde de longas em corrida pela Palma de Ouro. Apesar de farpas políticas que doem na alma e arrancam gargalhadas de nervoso, o esforço do realizador de “Paterson” (2016) em homenagear a tradição dos longas sobre gente morta com fome de carne humana tropeça nos maneirismos cool e no desenho raso dos personagens. Tilda Swinton consegue brilha no papel de uma espadachim que embeleza cadáveres rumo ao enterro. Confira a lista dos 21 concorrentes de Cannes em 2019, na ordem de projeção:

“The dead don’t die”, de Jim Jarmusch
“Les Misérables”, de Ladj Ly
“Bacurau”, de Juliano Dornelles e Kléber Mendonça Filho
“Atlantique”, de Mati Diop
“Sorry we missed you”, de Ken Loach
“Little Joe”, de Jessica Hausner
“Dolor y Gloria”, de Pedro Almodóvar
“The Wilde Goose Lake”, de Diao Yinan
“La Gomera”, de Corneliu Porumboiu
“A hidden life”, de Terrence Malick
“Portrait de la jeune fille em feu”, de Céline Sciamma
“Le jeune Ahmed”, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
“Frankie”, de Ira Sachs
“Once upon a time in Hollywood”, de Quentin Tarantino
“Parasite”, de Bong Joon Ho
“Matthias et Maxine”, de Xavier Dolan
“Roubaix, une lumière”, de Arnaud Desplechin
“Il traditore”, de Marco Bellocchio
“Mektoub, my love: Intermezzo”, de Abdellatif Kechiche
“It must be Heaven”, de Elia Suleiman
“Sibyl”, de Justine Triet

Após a premiação, dia 25 de maio, será projetada a comédia motivacional “Hors norme”, de Éric Toledano e Olivier Nakache (dupla que vendeu 20 milhões de ingressos com“Intocáveis”, em 2011), com Reda Kateb e Vincent Cassel vivendo um par de professores especializados na inclusão de alunos com autismo.

Nesta quinta-feira, sir Elton John vem à Croisette para conferir a pré-estreia mundial de “Rocketman”. Dirigido pelo ator Dexter Fletcher, o longa-metragem, que chega ao Brasil no dia 30 deste mês, é uma cinebiografia do músico, nos moldes do fenômeno popular “Bohemian Rhapsody”, sobre Freddie Mercury, que custou US$ 52 milhões e faturou US$ 900 milhões nas bilheterias, além de conquistar quatro Oscars. Há uma torcida por um destino similar para a produção de US$ 40 milhões que põe o britânico Taron Egerton (herói da franquia “Kingsman”) na pele de Reginald Kenneth Dwight, o nome verdadeiro de Elton.

Este ano, a Palma de Ouro Honorária será entregue a Alain Delon, ator de 83 anos que atravessou seis décadas da História fazendo filmes. Ele filmou de 1957 a 2012. Seu tributo será no dia 19, com direito à sessão do aclamado “Cidadão Klein”, de Joseph Losey, laureado com o César, o Oscar francês, de melhor filme, em 1977. No dia 24, às vésperas do encerramento de sua programação, Cannes recebe Sylvester Stallone para uma homenagem pelo conjunto de sua carreira como astro, produtor, diretor e mito do cinema de ação, com direito a uma projeção de gala de “Rambo – Programado para Matar” (1982) em cópia 0KM. O evento conta ainda com a exibição de trechos inéditos de “Rambo – Last blood”, seu novíssimo trabalho, ainda em finalização, que estreia em setembro.

Nesta segunda foi anunciado que “Boyz’n the hood” (1991) vai ser exibido nas areias do Cinéma de la Plage, em tributo ao realizador John Singleton, morto no dia 28, aos 51 anos. Ainda na praia, num telão armado diante de uma série de cadeiras de sol, vão ser projetados “O tigre e o dragão” (2000), de Ang Lee; uma cópia novinha do drama musical biográfico “The Doors” (1991), com Val Kilmer possuído por Jim Morrison (1943-1971); e “Easy Rider – Sem destino” (1969), que comemorará seus 50 anos com a presença de Peter Fonda no balneário.

A maratona cannoise está só começando.  

 

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