Um Sean Penn longe dos olhos, perto das vaias

Um Sean Penn longe dos olhos, perto das vaias

Rodrigo Fonseca

01 de junho de 2017 | 11h21

Javier Bardem no set de Sean Penn em “The Last Face”: um drama humanitário

RODRIGO FONSECA
Ocupado neste momento com a finalização da nova série da HBO, American Lion, na qual vive o ex-presidente dos EUA Andrew Jackson, Sean Penn não teve o gostinho de ver seu último trabalho como diretor, The Last Face, fazer carreira digna em circuito internacional. Cuspido em alguns países da Europa, em função das vaias com que foi acolhido no Festival de Cannes de 2016, o longa-metragem humanitário já saiu em DVD na França e terá destino similar em boa parte dos territórios nos quais ainda não ganhou a sala escura.

Idealizado como ode à luta pela resistência à vida nos campos de batalha, The Last Face levou a Cannes, na disputa pela Palma de Ouro, toda a potência crítica (misturada a um toque inusitado de lirismo) que caracteriza a obra de Sean Penn como diretor. Em seu quinto longa-metragem como realizador, o ator ganhador de dois Oscars narra o romance entre dois voluntários dos Médicos Sem Fronteiras num ambiente de aspereza: os doutores Wren (Charlize Theron) e Miguel (Javier Bardem). Pautado por um debate sobre o bem-estar dos refugiados da África, a partir de uma love story que se descortina na Libéria, em meio a um sangrento conflito, a produção faz uma reflexão entre os limites entre o dever e o querer, conforme Wren e Miguel tentam preservar seu querer.

 

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