O Z de Guy Williams abrilhanta a Disney+

O Z de Guy Williams abrilhanta a Disney+

Rodrigo Fonseca

31 de dezembro de 2020 | 07h54

Rodrigo Fonseca
Imerso nas almas jazzísticas do belo “Soul”, da Pixar, e ainda colhendo (merecidos) frutos por “O Mandaloriano”, a Disney+ teve a sabedoria de resgatar pérolas chanceladas por Mickey Mouse ao longo dos anos 1950, 60 e 70, como “20.000 Léguas Submarinas” (1954), com Kirk Douglas; “O Computador de Tênis” (1969), com um Kurt Russell cheirando a leite; e “Felpudo, o Cachorro Promotor” (1976), com Dean Jones. Mas a pepita com mais luz nessa jazida é “O Signo do Zorro” (1958 / algumas fontes dão 1960), dirigido por Lewis R. Foster (roteirista de “A Mulher Faz O Homem”) e Norman Foster (de “Mr. Moto em Férias”). Trata-se de uma deliciosa transposição para o audiovisual da literatura de Johnston McCulley (1883–1958), com base nos feitos do vigilante mascarado da Califórnia. Aliás, talvez seja a melhor até a “A Máscara do Zorro” (1998), de Martin Campbell, sendo que a releitura queer “As Duas Faces de Zorro”, de 1981, com George Hamilton, continua iconoclasta e saborosa até hoje. O garimpo da joia de Foster & Foster, com direito a uma antológica dublagem, vitamina o reboot da figura de Don Diego De La Veja promovida em múltiplas mídias. Há um projeto de série de TV com o herói, a ser pilotado por Sofia Vergara e Robert Rodríguez, tendo uma mulher como protagonista. E há uma HQ francesa – ou seja, uma BD, uma Banda Desenhada, como eles chamam quadrinhos por lá – também reinventando o personagem de McCulley: “Don Vega”, editada pela Dragaud, com desenhos estonteantes de Pierre Alary a reinventar a América de 1840. Mas o longa que a Disney + tirou das gavetas também deu, numa perspectiva pop da década de 1950, um toque de renovação ao espadachim marxista que faz da letra Z seu cartão de visitas. Lançado em 1958, o longa se encaixa na linhagem de tramas em que a Disney investiu de 1957 a 1961 na rede ABC, apoiada no carisma insofismável do ator ítalo-americano Armand Joseph Catalano (1924-1989), mais conhecido como Guy Williams. Em 1965, ele tornou-se ainda mais famoso ao viver o professor Robinson de “Perdidos no Espaço”. Numa gaiata atuação, Williams torna Don Diego um dândi cheio de lábia que se mascara para combater as injustiças do Capitão Monastario (Britt Lomond) e seu acólito mais implacável, o Sargento Garcia (Henry Calvin). As cenas de ação de “The Sign Of Zorro”, em especial as batalhas de esgrima, são impressionantes até hoje. Na versão brasileira, o insubstituível Nilton Valério dublou Guy com um charme singular.

p.s.: Não perca (numa telona, se possível) o belíssimo “Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa” (“Als Hitler das rosa Kaninchen stahl”), da diretora Caroline Link, sobre uma família de judeus obrigada a fugir mundo afora pelo nazismo, nos anos 1930. Já está em pré em alguns cinemas, como a rede Espaço Itaú.

p.s.2: Feliz Ano Novo a todas e todos.

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