Um olhar cheio de adrenalina sobre o lado B de Bruce Lee

Um olhar cheio de adrenalina sobre o lado B de Bruce Lee

Rodrigo Fonseca

25 Dezembro 2017 | 11h24

Rodrigo Fonseca
Cerca de um ano e três meses após sua primeira exibição pública, durante o Festival de Toronto (TIFF) de 2016, A Origem do Dragão chega às telas brasileiras com fôlego para bombear oxigênio nas veias do cinema de artes marciais, resgatando a tradição dos filmes de luta com uma estética imperfeita, mas de uma vivacidade única. Desde O Grande Mestre (2013) não se via uma coreografia de luta tão bem elaborada, e tão conectada com fatos reais. A trama aqui em Birth of the Dragon aproveita filamentos de um episódio real do passado de Bruce Lee, em seus tempos como Kato, na série Besouro Negro, a fim de edificar um enredo de linhas dramáticas que favoreça a ação e o suspense. A trama dá uma contribuição à teoria da conspiração acerca do suposto assassinato do astro rei do Kung Fu (ainda que o laudo médico de sua morte fala de edema cerebral), pelas mãos da máfia. A intriga de predestinação deste filme pilotado por George Nolfi (roteirista de O Ultimato Bourne) envolve um confronto ocorrido nos EUA, em 1965, entre Bruce e o mestre maior do embate corpo a corpo lá na Ásia, o monge Wong Jack Man.

Esse combate teria feito de Lee uma lenda nos bastidores das pelejas (e do submundo do crime). Mas o enfrentamento deles é espichado no roteiro para algo mais: ele serve de trampolim para um quiprocó de pontapés e socos envolvendo a presença das Tríades (a célula mafiosa chinesa) em solo americano. Yu Xia interpreta Wong com uma leveza contagiante enquanto Philip Ng encarna Bruce esbanjando canastrice, fazendo dele um tipo malandrão, abusado e vaidoso. Mas mesmo nos momentos mais caricatos, o longa-metragem de Nolfi imprime múltiplas camadas a seus personagens, fazendo deles pessoas com muitas contradições. E a cadência febril das colisões entre Bruce e Wong com os agentes das Tríades garante adrenalina aos litros. É uma surpresa bem-vinda ao circuito.