Um melodrama à moda Karim Aïnouz para encantar Cannes

Um melodrama à moda Karim Aïnouz para encantar Cannes

Rodrigo Fonseca

19 de abril de 2019 | 11h59

Cena de “A vida invisível de Eurídice Gusmão”: um dos concorrentes ao prêmio da mostra Un Certain Regard

Rodrigo Fonseca
Um ano após ter sido consagrado na Berlinale com o prêmio da Anistia Internacional com “Aeroporto Central” (2018), o cearense Karim Aïnouz vai levar seu talento e seus estudos sobre a arte do melodrama a Cannes, com direito a Fernanda Montenegro em seu elenco: seu novo longa-metragem, “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, entrou na disputa da mostra Un Certain Regard. O festival francês vai de 14 a 25 de maio na Croisette. Livre adaptação do romance homônimo de Martha Batalha, o filme é uma produção do carioca Rodrigo Teixeira, da RT Features, em parceria com a produtora alemã The Match Factory. As atrizes Carol Duarte e Júlia Stockler interpretam as protagonistas do elenco, que traz ainda os atores Gregório Duvivier, Barbara Santos e Maria Manoella. Fernandona  faz participação especial.

“Voltar a Cannes é sempre uma alegria sem par. Mergulhar nos filmes e em um ambiente que celebra o cinema com tanta paixão é inspirador. E é um grande berçário pra começar a vida de um filme”, diz Karim ao P de Pop.

Com roteiro assinado por Murilo Hauser, em colaboração com Inés Bortagaray e o próprio diretor, o longa foi rodado nos bairros da Tijuca, Santa Teresa, Estácio e São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Quem assina a fotografia é Hélène Louvart, que clicou “Pina”, de Wim Wenders.

Na trama, as irmãs Guida e Eurídice são cúmplices no afeto que têm uma pela outra, inseparáveis no dia a dia. Eurídice, a mais nova, é uma pianista prodígio, enquanto Guida, romântica e cheia de vida, sonha em se casar e ter uma família. Um dia, com 18 anos, Guida foge de casa com o namorado. Ao retornar grávida, seis meses depois e sozinha, o pai, um português conservador, expulsa a menina de casa. Guida e Eurídice são separadas para sempre e passam suas vidas tentando se reencontrar.

“Temos um melodrama tropical, verde brilhante, cheio de lágrimas e mistério”, explica Karim, que fala com afeto sobre a experiência de filmar com Fernanda. “Trabalhar com ela foi, antes de tudo, realizar um sonho. Um sonho gigante, como ela, uma mulher gigante e apaixonante, além da atriz fenomenal. Ela foi de uma generosidade enorme, de inteligência aguda e contundente. Deu vontade de fazer outros filmes com ela, pra que eu possa aprender com não só sobre atuação, mas, sobre a vida”.

Na mesma Um Certain Regard, entrou um longa americano também com a grife de Rodrigo Teixeira: “Port Authority”, da diretora Danielle Lessovitz, produzido em parceria com um mito, o diretor Martin Scorsese. É a história de amor de um rapaz que se apaixona por uma mulher trans.

Acerca da Palma de Ouro, confira a seguir a lista de cineastas em competição:

Cineastas em competição
Jim Jarmusch (“The dead don’t die”) – Filme de abertura
Mati Diop (“Atlantique”)
Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (“Bacurau”, na foto acima)
Céline Sciamma (“Portrait de la jeune fille en feu”)
Marco Bellocchio (“O traidor”)
Jessica Hausner (“Little Joe”)
Ken Loach (“
Justine Triet (“Sybil”)
Terrence Malick (“A hidden life”)
Bong Joon-ho (“Parasita”)
Jean-Pierre e Luc Dardenne (“Le jeune Ahmed”)
Corneliu Porumboiu (“La gomera”)
Xavier Dolan (“Matthias & Maxine”)
Arnaud Desplechin (“Roubaix, une lumière”)
Diao Yi’nan (“The wild goose lake”)
Elia Suleiman (“It must be Heaven”)
Ira Sachs (“Frankie”)
Ladj Ly (‘Les misérables”)
Pedro Almodóvar (“Dolor y Glória”)

Para as seções paralelas, com projeção hors-concours, Cannes assegurou a presença do mito do rock e do cancioneiro romântico Elton John. Ele vai ser convidado de honra de sua biopic, “Rocketman”, dirigida pelo ator Dexter Fletcher nos moldes do fenômeno canoro “Bohemian Rhapsody”. Esta biopic musical do cantor de “Your song” será exibida com a presença dele no Palais des Festivals. Esta semana, a Paramount Pictures exibiu 15 minutos do filme no Rio: pelo pouco que se viu, a atuação de Taron Egerton é um convite ao Oscar.

Preparando uma projeção de uma cópia inédita de “O iluminado” (1980), a ser comentada pelo diretor Alfonso Cuarón (“Roma”), Cannes vai atribuir uma Palma de Ouro honorária ao ator francês Alain Delon, hoje com 83 anos. Outra atração muito esperada é a exibição de episódios da série “Too old to die young”, do dinamarquês Nicolas Winding Refn. No dia 23 de abril, a Quinzena dos Realizadores anuncia suas atrações: seu filme de abertura será “Deerskin”, de Quentin Dupieux, com Jean Dujardin, e seu homenageado vai ser o mestre do terror John Carpenter, realizador de “Halloween” (1978) e outros cults. Nesta segunda, é a Semana da Crítica quem vai anunciar seus filmes. Ela terá o colombiano Ciro Guerra como seu presidente de júri. Para a seção Cannes Classics, há uma aposta numa projeção de gala de “Easy Rider” (1969), com a presença do sumido Jack Nicholson.