Um mapa da mina pro Festival de Tribeca

Um mapa da mina pro Festival de Tribeca

Rodrigo Fonseca

23 de maio de 2021 | 09h43

Rodrigo Fonseca
Com a grife de Steven Soderbergh na direção e a dobradinha de Benicio Del Toro e Don Cheadle no elenco, o thriller “No Sudden Move” virou “O” chamariz do Festival de Tribeca 2021, agendado de 9 a 20 de junho, regado de atrações para bombar a cinefilia de Nova York. Mas há alguns títulos que podem ser assistidos online, uma vez que a maratona cinéfila criada por Robert De Niro vai além de sua execução presencial. Confira algumas das apostas deste ano para o evento inaugurado em 2002, entre os títulos que podem ser visto em casa, num aluguel em torno de US$ 15 por filme:
“Roaring 20’s”, de Elisabeth Olsen (França): Operando com apenas seis takes, a diretora espalha 24 atores Paris afora para contar uma história de diversidades humanas que se colidem.
“A Choice of Weapons: Inspired By Gordon Parks”, de John Maggio (EUA): Famoso por ter dirigido “Shaft” (1971), Gordon Alexander Roger Buchanan Parks (1912-2006) foi um dos pilares da fotografia americana, desafiando o racismo para retratar figuras como Malcolm X. Este .doc investiga seu legado estético e suas batalhas éticas.
“Wu Hai”, de Zhou Ziyang (China): Exibido em setembro no Festival de San Sebastián, na competição pela Concha de Ouro de 2020, este drama repleto de tensão saiu do evento espanhol com o Prêmio da Crítica, votado pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica. Em sua trama, parcialmente ambientada em um parque temático de dinossauros, vemos os dilemas de Yang Hua e Miao Wei, um casal feliz que vive em uma pequena cidade rodeada por uma paisagem desértica espantosa na Mongólia. No entanto, Yang Hua se sente desconfortável com seu histórico financeiro. Ele faz parceria com o seu amigo Luo Yu num negócio de empréstimos comerciais, mas falha e acaba por se afogar em dívidas. Dia a dia, a dignidade dele vai sendo dilapidada.
“Shapeless”, de Samatha Aldana (EUA): Eis aqui a promessa do que pode vir a ser “o” horror cult do ano. Uma cantora encara toda a sorte de plateias durante as noites de Nova Orleans em meio a uma batalha pessoal com uma estranha desordem alimentar que mexe com sua psiquê.

Cena de “Shapeless”, de Samantha Aldana, uma promessa do terror

“Brighton 4th”, de Levan Koguashivili (Geórgia): Um campeão de luta livre, hoje grisalho, tem de viajar até os Estados Unidos, pra salvar seu filho, que abriga georgianos ilegais e tem uma dívida com a máfia.
“Ultrasound”, de Rob Schroeder (EUA): Adaptação da HQ “Generous Bosom”, de Conor Stechschulte, inspirado pelas narrativas de Rod Serling em “Além da Imaginação”. Um clima sci-fi dá conta do projeto, no qual um sujeito se vê às voltas com um defeito no motor de seu carro em meio a um temporal, sendo acolhido por um sinistro casal. Ao mesmo tempo, uma cientista começa a questionar o sentido de sua vida ao se envolver num bizarro experimento.
“Ballad of a White Cow”, de Maryam Moghaddam e Behtash Sanaeeha (Irã): Poucas cinematografias cruzam melodrama e dramaturgias jurídicas com a galhardia que os iranianos conseguem, sempre fazendo da consciência pesada matéria para a construção de figuras tridimensionais, capazes de ir além do fardo que a jornada filmada lhes impõe. É o que se vê com uma precisão de relógio suíço em “Ghasideyeh gave sefid” (título original). A atriz e cineasta Maryam Moghadam se junta a Behtash Sanaeeha, seu parceiro na direção do documentário “The Invincible Diplomacy of Mr Naderi” (2018), para filmar um conto moral enxutíssimo, impulsionado pelo desempenho dela também diante das câmeras. Feridas políticas se abrem, no filme, quando a protagonista, Maia, vivida pela diretora, é informada de que seu marido, Babak, recém-executado pelo governo, morreu injustamente, sendo inocente de um crime que cometeu. Foi a tal vaca do título, imolado em nome de um sacrifício em vão. Mas a parábola religiosa em torno do animal vai ser reaproveitada mais adiante, provando que até histórias sagradas podem ser relativizadas.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.