‘Um banho de vida’: borbulhas de amor e riso nas bilheterias

‘Um banho de vida’: borbulhas de amor e riso nas bilheterias

Rodrigo Fonseca

16 de março de 2019 | 10h58

Uma das atrizes do momento na França, Virginie Efira vive uma instrutora de nado sincronizado alcoólatra em “Um banho de vida”: cerca de 4 milhões de ingressos vendidos 

Rodrigo Fonseca
Há uma especulação na imprensa europeia de que o galã e cineasta Gilles Lellouche vá integrar o júri da Palma de Ouro do 72º Festival de Cannes (14 a 25 de maio), cuja presidência será do mexicano Alejandro González Iñárritu (diretor de “Amores brutos”): a escolha do ator francês se deve ao desempenho comercial impressionante que sua mais recente experiência como realizador, “Um banho de vida”, teve nas bilheterias. Só na França, esta deliciosa comédia, que chega ao Brasil na próxima quinta-feira, vendeu cerca de 4 milhões de ingressos. Sua estreia se deu na Croisette mesmo, em 2018, fora de concurso. Durante a projeção de “Le Grand Bain” (título original), Cannes passou por um descarrego, para se libertar de seus preconceitos relativos ao cinemão. Sucesso de público na Europa, seja fazendo humor (“Os Infiéis”), seja interpretando homens maus (“A Conexão Francesa”), Lellouche formou um elenco invejável , cravejado de estrelas do cinema de seu país numa trama sobre um esquadrão de fracassados que tenta a sorte num curso de nado sincronizado só para homens.

Realizador premiado e ator fetiche de cineastas autorais, Mathieu Amalric (o vilão de “007 – Quantum of Solace”) encabeça a equipe que reúne os atores-diretores Guillaume Canet (marido de Marion Cotillard) e (o belga) Benoît Poelvoorde em hilários papéis.  Com diálogos escritos por Lellouche, a trama brinca com a representação masculina (e com o sexismo) na França, colocando homens barrigudos e sem estima para tentar uma atividade física aquática, sob o comando de duas mulheres instrutoras: a alcoólatra Delphine (Virginie Efira, em atuação memorável) e a cadeirante Amanda (Leïla Bekhti).

“A coisa mais difícil dessa filmagem foi a gente conseguir se concentrar”, disse Poelvoorde, em Cannes, com sua picardia habitual. “Mathieu fazia tanta bagunça que a gente se dispersava”.

Na Croisette, a recepção popular de Le Grand Bain foi tão boa que os organizadores se arrependeram de não tê-lo colocado em concurso. Concorrer seria uma vitória para o humor francês. “O que existe de mais louvável no cinema da França é o fato de que nosso cinema dá lugar para todo tipo de filme. E a comédia é parte essencial dessa diversidade que cultivamos”, disse Lellouche em sua participação em Cannes, que aguarda seu regresso.

Especula-se que dois filmes possam abrir o festival deste ano: “Rocketman”, a cinebiografia de Elton John, e “Les plus belles années d’une vie”, a sequência de “Um homem, uma mulher” (1966), que vai marcar o reencontro de Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée, uma vez mais sobre a direção do mestre Claude Lelouch.

p.s.: No dia 4 de abril, Rodrigo Santoro volta às telonas nacionais à frente de “O tradutor”, que estreou no Festival de Sundance em 2018. Esta coprodução entre Cuba e Canadá, ambientada em Havana, em  1989, é dirigida pelos irmãos Sebastián e Rodrigo Barriuso com base em fatos reais, envolvendo o pai dos cineastas. No fim da década de 1980, o pai deles, um professor cubano de Russo, foi convocado pelo governo de seu país para traduzir as relações entre os médicos do local e um grupo de pacientes vindos da União Soviética, vítimas do desastre nuclear de Chernobyl. No longa-metragem, o tal educador, chamado Malin, vivido por Santoro, vai representar esperança para crianças soviéticas em luta contra o câncer decorrente do contágio pela radiação. Há quem diga que é o melhor desempenho da carreira do astro.

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