Tributo a Jabor esta segunda no Estação Botafogo

Tributo a Jabor esta segunda no Estação Botafogo

Rodrigo Fonseca

19 de fevereiro de 2022 | 09h05

“Eu Sei Que Vou Te Amar” rendeu a Jabor uma indicação à Palma de Ouro em Cannes, em 1986

RODRIGO FONSECA
Num tributo póstumo a Arnaldo Jabor, que nos deixou esta terça, o Estação NET Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, promove uma sessão especial de um dos maiores sucessos do cineasta nesta segunda-feira, às 19h: “Eu Sei Que Vou Te Amar”, indicado à Palma de Ouro em Cannes em 1986. O filme saiu da Croisette com o prêmio de melhor interpretação feminina, dado à Fernanda Torres. A atriz e Thales Pan Chacon interpretam um casal, chamados apenas de Ela e Ele, que decide fazer um jogo da verdade capaz de cartografar sua geografia afetiva.
Integrado ao espírito do projeto cinemanovista pelas vias do documentário, com “Opinião Pública” (1967), Jabor consolidou-se nas décadas seguintes como um campeão de bilheteria que fazia plateias tamanho GG dialogarem com crônicas morais. Foi premiado na Berlinale, nos anos 1970, com sua releitura fadística do rodriguiano “Toda Nudez Será Castigada”, primeiro filme a vencer um Festival de Gramado, em 1973. Filme que arrancou de Darlene Glória uma atuação sem par. No fim daquela década, ele faz da palavra sua arma de ataque em “Tudo Bem” (1978), metáfora suprema do apodrecimento dos ranços aritocráticos brasileiros. E volta aos blockbusters com “Eu Te Amo”, o filme que inaugura a sanha da pós-modernidade no cinema nacional, ao incorporar elementos do vídeo a narrativas em película.

p.s.: Mais uma vitória pro Brasil na 72ª Berlinale, quer encerra suas atividades neste 20 de fevereiro: além do prêmio do júri dado ao curta “Manhã de Domingo”, de Bruno Ribeiro, o cinema nacional conquistou o troféu Teddy, simbólica láurea LGBTQI+, atribuída na sexta-feira a “Três Tigres Tristes”, de Gustavo Vinagre. Sua trama se passa em São Paulo, em um futuro distópico, não muito distante do presente, quando um vírus que ataca o cérebro – sobretudo a nossa capacidade de lembrar – ameaça apagar vários afetos. Nesse cenário, o longa segue três jovens queer, que andam à deriva por uma cidade maculada pela pandemia e pelo capitalismo desenfreado, lembrando-se dos últimos amantes um do outro, compartilhando suas experiências com o HIV.

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