Tribeca: o violento coração de Tobey Maguire

Tribeca: o violento coração de Tobey Maguire

Rodrigo Fonseca

20 de abril de 2020 | 09h53

Tobias Vincent Maguire, hoje com 44 anos, virou estrela ao viver Peter Parker, em 2002: nesta segunda na “Sessão da Tarde”

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
Inspirado em “Romeu e Julieta”, mas adaptado para uma realidade urbana de violência, “The Violent Heart”, um dos filmes mais esperados da seleção de 2020 do Festival de Tribeca (que rola online, até domingo), traz de volta, como produtor, um nome em quem Hollywood já depositou fortes expectativas: Tobias Vincent Maguire. Hoje à tarde, às 14h55, a TV Globo vai exibir seu maior sucesso como ator: “Homem-Aranha”, dirigido por Sam Raimi, em 2002. Sua bilheteria beirou US$ 825 milhões, consolidando-o como um dos grandes sucessos da década de 2000. Mais duas sequências coroaram a franquia, o prestígio de Raimi fora do terror (ele é o alvo da Marvel em sua caçada por um diretor para o novo “Doutor Estranho”) e a força do Escalador de Paredes nas telas. Mas Tobey Maguire, hoje com 44 anos, não sobreviveu à prova de fogo de sua própria reputação nos bastidores. Com fama de intragável e conhecido por sua compulsão em jogos de azar, ele enterrou uma carreira como ator de sucesso. Filma aqui e acolá, com bons resultados sazonais. Chegou a ser indicado ao Globo de Ouro pelo dramalhão “Entre Irmãos”, há uma década, e brilhou na dramédia “Detalhes” (2011), na boa companhia de Elizabeth Banks e Laura Linney (duas atrizes brilhantes). Mas nada à altura de Peter Parker, nem de seus primeiros êxitos no circuito de filmes de autor, como queridinho de Ang Lee. Fez com ele “Tempestade de Gelo” (1997) e “Cavalgada com o Diabo” (1999). E, com a ajuda de seu amigo mais querido, Leonardo DiCaprio, esteve (muito bem) em “O Grande Gatsby”, em 2013. Porém, o perfil de encrenqueiro e a imagem de “chave de cadeia” emperraram sua progressão à frente das câmeras. Produzindo, contudo, ele vai bem, como comprova seu trabalho em “A Maratona de Brittany” (2019) e sua parceria com Damien Chazelle para tirar do papel o projeto “Babylon”, com Emma Stone e Brad Pitt. Mas o acerto atual é mesmo a presença do robusto “The Violent Heart” em Tribeca, que tem Kerem Sanga como realizador. Na trama, um rapaz vive assolado pela morte da irmã: ela foi assassinada ao fugir com um rapaz, por quem se apaixonou. Adulto, ele se encanta por uma moça, mas vai descobrir que ela pode ter conexões com o crime que o assombra.

“The Violent Heart”: thriller com Jovan Adepo e Grace Van Patten, que Maguire assina como produtor

Outro destaque de Tribeca é a delicada produção catalã “Vera”, de Laura Rubirola, com a diva chilena Paulina García no papel de uma faxineira fã de música clássica que vive um momento de alumbramento com Vivaldi. Da competição americana, merece aplausos a comédia de erros “12 Hour Shift”, da diretora Bea Grant, produzida por David Arquette, pautado por um show de atuação de Angela Bettis no papel de uma enfermeira envolvida em roubo de órgãos. Vale uma atenção ainda “Sweet Thing”, de Alexandre Rockwell, sobre uma adolescente às voltas com um pai pinguço e uma mãe sem compromissos com o afeto filial.

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