Tribeca anuncia programação regada de estrelas

Tribeca anuncia programação regada de estrelas

Rodrigo Fonseca

19 de abril de 2022 | 14h31

Jessica Chastain e Ralph Fiennes estrelam “The Forgiven”

Rodrigo Fonseca
Desde que abriu suas portas, em 2002, sob os auspícios do ator Robert De Niro, com o objetivo de elevar o moral dos nova-iorquinos, abalado pelos atentados terroristas do 11 de Setembro, o Festival de Tribeca sempre tratou o cinema da América do Sul com carinho, acolhendo com aplausos “Festa de Margarette”, de Renato Falcão; “Santiago”, de João Moreira Salles; “Elvis & Madona”, de Marcelo Laffitte; “Califórnia”, de Marina Person; e “Ninguém Está Olhando”, de Julia Solomonoff. Ainda não há como quantificar como a seleção de 2022 da maratona cinéfila de Nova York vai abrigar as vozes autorais do continente, mas já há uma vaga na competição oficial para a Bolívia, representada por “El Visitante”, de Martín Boulocq. É a saga de um ex-presidiário que sai do cárcere para refazer sua vida com sua filha, sendo obrigado a encarar o fervor religioso de um pastor evangélico que adotou a garota. A produção integra o cardápio de guloseimas audiovisuais do evento, que será inaugurado pela diretora Amanda Micheli e seu documentário “Halftime”, sobre a rotina de criação artística da cantora e atriz Jennifer Lopez. Essa escolha estreita laços entre o evento e a Netflix, que lança a produção em sua grade no dia 14 de junho. Mas o filme que mais vem mexendo com a curiosidade da classe cinematográfica, desde o anúncio das atrações de Tribeca, na manhã desta terça, é “The Forgiven”, com Jessica Chastain e Ralph Fiennes, sob a direção de John Michael McDonagh, o mesmo realizador de “O Guarda” (2011) e “Calvário” (2014). A oscarizada estrela de “Os Olhos de Tammy Faye” se une ao eterno Lorde Voldemort na saga de um casal, em vias de divórcio, que tem sua rotina alterada pela morte acidental de um jovem.

“Halftime” aborda a jornada de sucesso de Jennifer Lopez

Nas seleções paralelas de Tribeca, há uma promessa de sucesso comercial a caminho: “Jerry & Marge Go Large”, uma comédia de David Frankel que oferece protagonismo a Bryan Cranston (o eterno Walter White de “Breaking Bad”) e Annette Bening. Eles vivem um casal aposentado que decide fraudar a loteria. É uma garantia de humor. Esperam-se risadas também da estreia do (genial) ator Ray Romano como realizador: “Somewhere in Queens”. Laurie Metcalf, Tony Lo Bianco, Sebastian Maniscalco, Jennifer Esposito e o próprio Romano estrelam essa trama sobre um ítalo-americano que aposta numa carreira de sucesso para o filho nas quadras de basquetebol. Igualmente badalada é a escolha de “Corner Office”, um estudo marxista de Joachim Back sobre o mundo do trabalho com Jon Hamm na pele de um empregado dedicado que irrita seus parceiros.
Para a competição de longas americanos, fala-se um bocado de “Next Exit”, da diretora Mali Elfman. A cineasta criou um projeto científico que convida pessoas desesperadas a cometerem suicídio assistido para que, após a morte, como espectros, elas possam emitir sentimentos lá do Além para o mundo dos vivos. Entre os documentários em concurso, muito se espera de “Body Parts”, de Kristy Guevara-Flanagan, que revisita a maneira como as mulheres foram filmadas em cults do cinema.

“A Matter Of Trust” vem da Dinamarca com fome de prêmios

Mas na briga dos longas estrangeiros, onde a Bolívia de “El Visitante” pode reinar soberana, há quem garanta um oceano de lágrimas vindo da Dinamarca com seu “A Matter Of Trust”, rodado por Anette K. Olesen de (“Borgen”). É um filme-coral com cinco núcleos dramáticos que colidem, sendo Trine Dyrholm (de “A Comunidade”) a atriz mais conhecida. Aguarda-se uma dose farta de irreverência de “We Might As Well Be Dead”, produção teuto-romena com direção da russa radicada na Alemanha Natalia Sinelnikova. É uma narrativa centrada em uma série de excentricidades de um condomínio.
As tradicionais Tribeca Talks, as seções de palestras do festival, vão incluir este ano conversas com os atores LeVar Burton e John McEnroe.

“El Visitante” é uma produção da Bolívia com direção de Martin Boulocq que concorre em Tribeca

p.s.: Em um futuro próximo, todo homem precisa fazer uma série de provas para se tornar pai. insegurança e até no machismo estrutural ainda presente na sociedade, que insiste em delegar para a mãe a maioria dos cuidados com o bebê. Quem insistir em ser pai sem cumprir todas as tarefas e ganhar seu certificado poderá ser detido e até preso. Este é o ponto de partida de “Pai Ilegal”, comédia inédita escrita por Ulisses Mattos, com direção de Henrique Tavares, que estreia, dia 5 de maio, no Teatro Dulcina, no Centro. O espetáculo é a segunda parte de uma trilogia teatral sobre paternidade, idealizada pelo ator Pedro Monteiro. “Eu queria continuar a tratar de questões da paternidade, mas por uma estrada diferente. Com “Pai Ilegal”, a vontade era de fazer uma comédia, e voltar ao gênero do meu primeiro projeto teatral, “Os Ruivos” (2008), conta Pedro Monteiro que, além de idealizar o projeto, vive o protagonista do espetáculo. “A ideia é usar o humor para discutir temas pertinentes à sociedade atual, como o lugar de fala, a importância do pai na criação de um filho e a necessidade de aprovação que todos nós temos”, acrescenta.

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