Transborda Cinema de Invenção em Brasília

Transborda Cinema de Invenção em Brasília

Rodrigo Fonseca

15 de dezembro de 2020 | 15h29

“Benjamim Zambraia e o Autopanóptico”, de Felipe Caltaldo

Rodrigo Fonseca
Em paralelo à competição pelo troféu Candango, com seis longas-metragens em concurso a partir desta terça, com a projeção de “Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem”, de Natara Ney, às 23h, no Canal Brasil, o Festival de Brasília vai transformar sua 53ª edição em uma arqueologia do saber produzido pelo cinema de invenção brasileiro, re(vi)vendo cults construídos na margem do risco, da pesquisa de linguagem. Basta clicar na URL http://www.cultura.df.gov.br/mostra-paralela-on-line-todos-os-filmes/?fbclid=IwAR0O6em8CZCwS9DmQ0npu2gcOOAyUDxVKQngT4Vu0MyTI7XnyCE68aVPiKM para conferir uma maratona de ideias, recheadas de grandes interpretações (de Helena Ignez a Bárbara Vida, para citar duas gerações de talentos da atuação; de José Mojica Marins a Chay Suede; além do devir ator do músico Alceu Valença). O nome dessa seção de pérolas autorais é MOSTRA PARALELA ONLINE, que teve o cineasta, produtor e judoca Cavi Borges, como organizador. Curador geral de Brasília em 2020, o documentarista Silvio Tendler (“Anos JK”, “Jango”) convocou Cavi para desencavar joias de ontem (“O Profeta da Fome”) e de hoje (“A Mulher de Luz Própria”), convocando realizadoras reveladas nos 2000/2010, como Luciana Bezerra e Sinai Sganzerla, e veteranos como Sérgio Peo e Sylvio Lanna.
“São cerca de 30 filmes disponíveis durante o festival inteiro, no site do próprio evento. É uma forma de o festival crescer, no sentido de dar mais possibilidades para as pessoas conhecerem outras linguagens. Foi uma porta aberta generosamente pelo Silvio Tendler, que é um dos maiores documentaristas brasileiros. um cara que consegue fazer cinco filmes por ano, impressiona. Ele é o cronista de nossa História, pro Brasil e pro mundo”, diz Cavi, que destaca a onipresença do ator e produtor musical Otávio Terceiro, morto em outubro, no elenco de vários longas. “É quase uma despedida dele. Otávio foi um Zelig das artes brasileiras, estando do lado de figuras que se tornaram celebridades”.

Cena de “Mina de Fé”, de Luciana Bezerra

Há um único longa inédito na mostra: “Benjamim Zambraia e o Autopanóptico”, de Felipe Caltaldo. Sua sinopse tangencia a poesia: No relógio das pedras a longevidade humana não conta um segundo. “Existir um panorama como esse dentro do que é o mais tradicional festival de cinema do país, o Festival de Brasília, é fundamental não só para o resgate de trabalhos dos artífices do Cinema Experimental no Brasil, como também para que se divulguem os filmes de cineastas brasileiros da nova geração. Cineastas que seguem a linha do Cinema de Invenção e realizam filmes diferentes do que vemos por aí, buscando linguagens próprias, diferenciadas de qualquer tipo de padrão”, diz Cataldo ao P de Pop. “Cavi Borges, curador dessa mostra, é o nosso guerreiro implacável e eu só tenho a agradecer pela estreia do filme estar sendo junto a trabalhos de pessoas tão queridas, que, para mim, são referências de Vida e Arte”.

A lista total de filmes na mostra é:
“A Lenda de Ubirajara” – 1975 – de André Luiz Oliveira
“A Mulher de Luz Própria” – 2019 – de Sinai Sganzerla
“A Noite do Espantalho” – 1974 – de Sérgio Ricardo
“Bebel, a Garota Propaganda” – 1968 – de Maurice Capovilla
“Belair” – 2009 – de Noa Bressane e Bruno Safadi
“Benjamim Zambraia e o Autopanóptico” – Inédito – Felipe Caltaldo
“Cinemação Curtametralha” – 1978 – de Sérgio Peo
“Dois pra Lá, Dois pra Cá” – 2019 – Marcela Bertoletti
“Excelentíssimos” – 2018 – Douglas Duarte
“Harmada” – 2003 – de Maurice Capovilla
“Homens Invisíveis” – 2019 – de Luiz Carlos de Alencar
“Horror Palace Hotel” – 1978 – de Jairo Ferreira
“Imagens” – 1973 – de Luiz Rosemberg Filho
“Impávido Colosso” – 2018 – de Fábio Rogério e Marcelo Ikeda
“In Memoriam – O Roteiro do Gravador” – 2019 – de Sylvio Lanna
“Jardim das Espumas – 1970 – de Luiz Rosemberg Filho
“Jogo da Vida” – 1977 – de Maurice Capovilla
“Jornada Internacional de Cinema da Bahia – Por um mundo mais humano” – de Noilton Nunes
“Malandro, Termo Civilizado” – 1982/2018 – de Sylvio Lanna
“Meteorango Kid – O Herói Intergalático” – 1969 – de André Luiz Oliveira
“Mina de Fé” – 2004 – de Luciana Bezerra
“Nem tudo é Verdade” – 1986 – de Rogério Sganzerla
“O Bandido da Luz Vermelha” – 1968 – de Rogério Sganzerla
“O Mágico e o Delegado” – 1983 – de Fernando Coni Campos
“O Menino da Calça Branca” – 1961 – de Sérgio Ricardo
“O País de São Saruê” – 1979 – de Vladimir Carvalho
“O Profeta da Fome” – 1970 – de Maurice Capoville
“O Signo do Caos” – 2005 – de Rogério Sganzerla
“O Sofá” – 2019 – de Bruno Safadi
“O Último Dia de Lampião” – 1975 – de Maurice Capovilla
“Poetisa” – 2020 – de Noilton Nunes
“Rocinha Brasil 77” – 1977 – de Sérgio Peo
“Sagrada Família” – 1970 – de Sylvio Lanna
“Tudo é Brasil” – 1997 – de Rogério Sganzerla

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